“A Ideologia da Vitimização”, por Feral Faun

Este texto do autor Feral Faun foi tomado do portal Protopia.

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Em Nova Orleans, junto na saída do bairro francês, existe um pixo em um muro que diz: “Os homens estupram”. Costumava passar perto dele quase todos os dias. Da primeira vez que a vi, me perturbou porque sabia que quem a tinha feito me definiria como um “homem” e sei que nunca desejei estuprar ninguém. Também nenhuma das minhas amizades com pênis o fez. Mas a medida que me encontrava com este dogma ṕixado, dia após dia, as razões do meu incômodo foram mudando. Reconheci nesse dogma uma litânia da versão feminista da ideologia da vitimização; uma ideologia que promove o medo, a fraqueza intelectual (e também a dependência de grupos de apoio baseados na proteção paternalista de autoridades) e uma cegueira diante de todas as realidades e interpretações da experiência que não se enquadrem na própria visão de alguém como vítima.

Não nego que tenha certa realidade por trás da ideologia da vitimização. Nenhuma ideologia poderia funcionar se não tivesse base alguma na realidade. Como disse Bob Black – “Todxs somos crianças adultas de pais”. Passamos toda nossa vida numa sociedade que se baseia na repressão, a exploração dos nossos desejos, nossas paixões e nossa individualidade. Mas é totalmente absurdo, se agarrar à derrota, nos definindo com os termos de nossa vitimização.

Como meio de controle social, as instituições sociais reforçam o sentimento de vitimização em cada uma de nós, ao mesmo tempo em que direcionam estes sentimentos em vias que reforçam a deṕendência nestas instituições sociais. Os meios de comunicação nos bombardeiam com histórias de crime, corrupção política e empresarial, lutas raciais e de género, escassez e guerra. Apesar das histórias terem uma base real, são apresentadas claramente para fortalecer a sensação de medo. Mas como muitxs de nós, duvidamos dos meios de comunicação, quando nos apresentam todo um conjunto de “ideologias radicais”. Todas contêm algo de percepção real, mas todas estão cegas para tudo aquilo que não se encaixe na sua estrutura ideológica. Cada uma dessas ideologias reforça a ideia de vitimização e canaliza a energia dos indivíduos, sem fazer um exame da sociedade em sua totalidade, nem romper com seu papel que só a reproduz. Tanto os meios de comunicação quantos todas as versões do radicalismo ideológico reforçam a ideia de que estamos vitimizados por aquele que está “fora”, pelo “Outro” e pelas estruturas sociais; a família, a polícia, a lei, a terapia e outros grupos de apoio, a educação, as “organizações radicais” ou qualquer um que queira nos reforçar o sentimento de dependência estão para nos proteger. Se a sociedade produz isso, estes mecanismos “incluem duas estruturas de oposição falsa (ideológica e parcial) para proteger a si mesmx poderíamos simplesmente examiná-la na sua totalidade e chegar a reconhecer sua dependência sobre nossa atividade para reproduzi-la. A cada oportunidade que tivessemos, poderíamos rechaçar nossos papéis como vítimas/dependentes da sociedade. Mas as emoções, as atitudes e os modos de pensamentos evocados pela ideologia da vitimização, fazem que esta inversão de perspectiva seja muito difícil.

Ao aceitar a ideologia da vitimização em qualquer uma das suas versões, escolhemos viver com medo. Quem pixou “Os homem estupram” era provavelmente uma feminista, uma mulher que viu sua ação como desafio radical a opressão patriarcal. Mas esse tipo de declarações, de fato, simplesmente se somam a um clima de medo que já existe [1]. Ao invés de dar as mulheres um sentido de força como indivíduo, fomenta a ideia de que as mulheres são em essência, vítimas, e as mulheres que lerem este pixo, inclusive, embora rechacem o dogma que subexiste por detrás, provavelmente andaram pela rua com medo. A ideologia da vitimização que tanto ampara o movimento feminista, também se pode encontrar de alguma maneira no movimento gay, radical nacionalista, de luta de classe, e em quase todas as ideologias “radicais”. O medo a uma ameaça real, imediata e identificada contra o indivíduo, pode motivar uma ação inteligente para erradicá-la, mas o medo criado pela ideologia da vitimização, não o permite, porque é um medo a força demasiado amplas e abstrata para que o indivíduo possa tratar com elas. Acaba se convertendo em clima de medo, de suspeita e paranóia, que logram a parecer as mediações (que são as redes de controle social) algo necessário e inclusive bom.

Neste clima angustiante de medo, criando uma sensação de fraqueza nas pessoas, a sensação de serem fundamentalmente vítimas. Se bem que é certo que algumas militantes ideológicas “pela libertação” as vezes armam ruído com raiva militante, poucas vezes vão além nem chegam a ameaçar nada. Em troca reclamam (leia-se “suplicam militantemente”)que aqueles a quem definem como seus opressores, garantam sua “libertação”. Um exemplo disto ocorreu em encontro anarquista “Sem Fronteiras” de 1989, em São Francisco. Não tenho nenhuma dúvida que na maior parte dos debates que assisti, os homens tendiam a falar mais que as mulheres, mas ninguém impedia que as mulheres falassem e não presenciei nenhuma falta de respeito contra as que falaram. No entanto, no microfone aberto do pátio do edifício onde se celebrava o encontro, se fez um discurso que proclamava que “os homens” estavam dominando as discussões e impedindo “as mulheres” de falar. A oradora “demandava” (leia-se “suplicava militantemente”) que os homens se assegurassem de que deixavam as mulheres falar. Em outras palavras, a oradora pedia ao opressor, de acordo com sua ideologia, que garantisse “os direitos” das oprimidas, uma atitude que, implicitamente, aceita o papel do homem como opressor e o da mulher como vítima. Sim que havia debates nos quais certas pessoas dominavam as discussões, mas alguém que atue da força de sua individualidade se enfrentará com uma situação assim, segundo sucede e tratará com as pessoas implicadas como indivíduos. A necessidade de colocar as ditas situações em contexto ideológico para tratar axs indivíduxs implicadxs como papéis sociais, transformando a experiência real e imediatas em categorias abstratas, é uma mostra de que alguém escolheu a fraqueza, optou por ser uma vítima. E a debilidade embaraçosa coloca à pessoa na postura absurda de ter que suplicar ao opressor que garantisse a própria libertação, assumindo que alguém nunca será livre para além de ser uma vítima [2].

Como todas as ideologias, as variantes da ideologiada vitimização são formas de falsa consciência. Aceitar o papel social de vítima, em qualquer de suas múltiplas formas, é renunciar inclusive a criar a própria vida por si mesma. Todos os movimentos de libertação parcial (feminismo, libertação gay, libertação racial, movimentos de trabalhadores, etc.) definem aos indivíduos nos termos de seus papéis sociais. Por ele, estes movimentos não só não incluem uma inversão de perspectiva que possa romṕer com os papéis sociais e permita às pessoas criar uma prática construída sobre suas próprias paixões e desejos; trabalham de fato contra ela. A “libertação” proposta por esses movimentos, não é a liberdade dos indivíduos para criar a vida que desejam em uma atmosfera de convivência livre, é mais bem a “liberação” de um papel social em que o indivíduo se mantém submetido. A essência destes papéis sociais é o seio do conjunto destas ideologias da “liberação”, é o vitimismo. Desta maneira, as ladainhas dos danos sofridos que devem ser repetidas a exaustão para garantir que as “vítimas”, nunca se esqueçam de que é o que são. Estes movimentos de liberação “radical” garantem que o clima de medo nunca desapareça, e que xs indivíduxs continuem se vendo tão fragilizados para assumir que sua força se encontra nos papéis sociais, que são de fato, a fonte de sua vitimização. Desta maneira, estes movimentos e ideologias atuam para prevenir a possibilidade de uma potente revolta contra toda autoridade e contra todos os papéis sociais.

A verdadeira revolta nunca está a salvo. Aqueles que elegem definir-se em função de seu papél como vítima, não se atrevem a provar a revolta total, porque poderia ameaçar a segurança de seus papéis. Mas como disse Nietzsche: O segredo dos maiores frutos e o maior desfrute da existência é viver perigosamente! Só um rechaço consciente da ideologia da vitimização, um rechaço a viver com medo e na fragilidade, e aceitação da força de nossas próprias paixões e desejos, como indivíduxs que são tão grandes e tão capazes de viver mais além de todos os papéis sociais, pode proporcionar uma base para a rebelião total contra a sociedade. A dita rebelião está de fato impulsionada, em parte pela raiva, mas não pelo ressentimento estridente e pela raiva frustrada da vítima que fomentam feministas, lutadox da liberação radical ou gay… para “declarar” seus “direitos” às autoridades. É bem mais a raiva de nossos desejos desencadeados, o retorno dos oprimidxs com plena força e sem disfarces. Mas essencialmente, a revolta total se alimenta de um espirito de jogo livre e de prazeres na aventura, por um desejo de explorar todas as possibilidades para a vida intensa que a sociedade trata de negar-nos. Para todxs xs que queremos viver intensamente e sem restrições, já passou da hora de viver como ratazanas tímidas dentro das paredes. Toda forma de ideologia da vitimização nos move a viver como ratxs intimidadxs. Sejamos, ao invés disso, monstrxs loucxs e alegres, que se divertem colocando abaixo os muros da sociedade, criando vidas autênticas e diversão para nós mesmxs.

Não parará nosso distúrbio selvagem e placentário, nossa guerra extática (de êxtasis) contra todas as forças da órdem. O caos de nossos desejos, a paixão por viver todas as possibilidades e vida ao máximo, surgirão à luz do dia, como uma sombra brilhante eclipsando toda forma de ordem.

Referências:

↑ Virginie Despentes no seu livro “Teoria King Kong” nos mostra uma forma não vitimizante de enfrentar o estupro. Muitxs preferem deixar de lado este tipo de proposta, porque estas posições nos movem para que assumamos nossa própria segurança, e nossa própria “recuperação” diante de um possível trauma por um estupro, por nós mesmas, ao invés de deixar estas tarefas a todas as instituições públicas e privadas que comercializam e mercantilizam “as vítimas” dentro desta ideologia da vitimização. Algo muito parecido acontece com a vitimização de classe que delega a libertação das suas “vítimas” a vanguardas políticas ou organizações anacrônicas e com a vitimização dos indígenas. Porém, temos que reconhecer que entre as capacidades da dominação, a capacidade penetrativa e uma ferramenta de poder que deve ser enfrentada, nisso, não somente se pode cair numa vitimização de mulheres, gays, como menciona o autor, mas de qualquer ser, inclusive espécie que possa ser subordinado por essa capacidade penetrativa exercitada com violência (N. da Edição em espanhol).

↑ É recorrente que feministas tenham como principal estratégia discursiva, encontrar sempre um “opressor” homem para toda mulher “vítima”. De fato, muitos dos discursos de igualdade operam sob esta idéia, assim como os discursos de libertação sexual nos quais a ideia recorrente é sair das correntes impostas pelos homens para, ademais, serem “livres” como eles. Longe de pretender solapar os privilégios que os homens evidentemente têm em sociedades e sistemas pratiarcais, acreditamos necessário abandonar o papel de vítima para assumirmos como guerreiras e não frente ao homem ao seu lado, o alvo mais fácil, senão frente a todas as cadeias que inclusive reproduz o próprio feminismo vitimizante que pede, demanda, em lugar de atacar, viver e amar, e atuar. Uma posição que tome para si mesma a liberdade e a libertação total, não como uma forma de poder nem como demanda, senão como uma forma de vida.

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Originalmente publicado em “Anarchy: A Journal Of Desire Armed” número #32 em Primavera de 1992.

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Ecodefense (um guia de campo para a ecossabotagem…)

Publicação tomada de Gente Chimarrona:

O livro Ecodefense: A Field Guide to Monkeywrenching, organizado pelo ativista e escritor norte-americano Dave Foreman, ainda não teve uma tradução para o português; trata-se de um “manual” para a prática de “monkeywrenching” (ou ecossabotagem), publicado inicialmente em 1985.

Dave Foreman, seu organizador, foi cofundador do Earth First!; atualmente, participa de outras iniciativas de ecodefesa — como, por ex., do Sea Shepherd.

Inspirado no livro The Monkey Wrench Gang, do famoso pensador e escritor ecologista Edward Abbey, e com o lema “Wilderness needs no defense, only more defenders” [em livre tradução: O Sertão selvagem não precisa de defesa, e sim de mais defensores], esse livro traz muitas ilustrações explicativas e bem-humoradas (como as historietas do ecoguerreiro Blade Ruiner…) — além de ser prefaciado pelo próprio Edward Abbey.

ecodefense

Ecodefense

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Índios têm mais bactérias benéficas à saúde, diz estudo

 Índios isolados da civilização concentram uma quantidade de bactérias benéficas à saúde muito maior do que populações ocidentais - Ariana Cubillos/AP

Índios isolados da civilização concentram uma quantidade de bactérias benéficas à saúde muito maior do que populações ocidentais.

Consumo de antibióticos modernos e dietas industrializadas tornam populações de origem europeia mais vulneráveis a doenças metabólicas e imunológicas.

Uma equipe multidisciplinar de cientistas americanos e venezuelanos, liderados por pesquisadores do Centro Médico Langone, da Universidade de Nova York, descobriu a coleção mais diversificada de bactérias corporais já vistas em seres humanos em uma tribo isolada de índios ianomâmis, localizada em regiões remotas da floresta amazônica no Sul da Venezuela.

Segundo os cientistas, o microbioma de pessoas que vivem em países industrializados é cerca de 40% menos diversificado do que dos índios. O estudo foi publicado nesta sexta-feira na revista “Science Advances”.

O levantamento mostra como antibióticos modernos e dietas industrializadas reduzem significativamente a diversidade do microbioma humano. Trata-se de um efeito grave, considerando que as trilhões de bactérias que vivem no corpo e sobre ele são cada vez mais encaradas como vitais para nossa saúde.

Acredita-se que os índios ianomâmis, que vivem de caça e coleta há gerações, viveram em isolamento total do mundo até 2009, quando foram contatados pela primeira vez por uma expedição médica. Como esta é uma das raras populações que nunca foram expostas a antibióticos modernos, seus integrantes são encarados como uma grande oportunidade para estudo do microbioma humano.

— Nós encontramos uma diversidade sem precedentes nas amostras fecais, orais e da pele recolhidas entre os yanomamis — conta Maria Dominguez-Bello, professora de Medicina da Universidade de Nova York e líder do estudo. — É mais um sinal da relação, de um lado, entre a diminuição da diversidade bacteriana, dietas industrializadas, antibióticos modernos e, do outro lado, doenças metabólicas e imunológicas. Entre elas estão a obesidade, a asma, alergia e diabetes, que têm aumentado drasticamente desde os anos 1970.

Maria avalia que algum fator ambiental, que se manifestou fortemente nos últimos 30 anos, estaria conduzindo o ser humano a estas doenças, afetando o microbioma.

No estudo, a equipe de Maria avaliou amostras bacterianas coletadas e preservadas de 34 das 54 vilas ianomâmis presentes naquela região. Entre os voluntários, 28 deram amostras fecais e da pele, enquanto 11 deram apenas amostras fecais. O DNA destes materiais dos índios foi, então, comparado ao de amostras de populações dos EUA, de ameríndios amazônicos da Venezuela e de uma comunidade rural no Sudeste da África — ambos os povos têm maior exposição à cultural ocidental do que os ianomâmis.

— Há um gradiente de diversidade nas fezes e na pele que é inversamente proporcional à exposição a antibióticos e a alimentos processados — revela Jose Clemente, coautor da pesquisa e professor de Genética e Genômica da Escola de Medicina do Hospital Mount Sinai, em Nova York. — Mesmo uma exposição mínima a estes produtos diminui consideravelmente a diversidade e remove bactérias potencialmente benéficas do nosso microbioma.

Entre as amostras de pele dos ianomâmis, os pesquisadores não encontraram apenas um grupo taxonômico dominante de bactérias. No material coletado nos EUA, há menor diversidade e altas proporções relativas dos gêneros Staphylococcus, Corynebacterium, Neisseriaceae e Propionibacterium.

A análise genética do material coletado na boca e no intestino dos ianomâmis revelou que suas populações tinham bactérias que contêm genes que codificam a resistência aos antibióticos — não só os naturais, encontradas no solo, como também os sintéticos, algo que surpreendeu os pesquisadores.

— Durante os anos 1940 e 1950, no auge do desenvolvimento farmacêutico de antibióticos, a maioria deles era derivada de bactérias naturais presentes no solo — explica Gautam Dantas, professor de Patologia, Imunologia e Engenharia Médica da Universidade de Washington, que também assina o estudo. — Não esperávamos encontrar resistência aos antibióticos sintéticos modernos.

Os pesquisadores apontam que a grande maioria dos estudos do microbioma humano se concentram em populações ocidentais. A investigação de micróbios não expostos a dietas processadas e antibióticos poderia lançar luz sobre como o microbioma humano pode estar mudando em resposta à cultura moderna, e, portanto, ajudar a criar novas terapias que possam reabilitar desequilíbrios causadores de doenças.

Notícia pega deste site.

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O Mito do Veganismo

Este texto nos foi enviado ao email pelo blog Tocaia Eco-extremista e aqui o divulgamos.

Recomendamos também:

Vivendo nos Bosques e Tecnologia Verde e Energia Renovável – O Mito da Sustentabilidade

Brazil. Amazon rain forest. Yanomami Indian butchering a wild pigs they killed on their way to an abandoned garden where they still harvest a few things like manioc and fruits.

Texto extraído do blog Matar o Morir Ediciones.

Nele se aborda a enganosidade da filosofia vegana para com a “libertação animal” pregada por seus simpatizantes e aponta também como na verdade este valor esquerdista contribui para a manutenção do que seus ativistas dizem se opor (exploração animal) e também para a perpetuação do sistema tecnológico-industrial e do progresso humano.

Traduzido por Anhangá.

Fogo nas jaulas, fogo na civilização!

Pela busca da raízes selvagens mais profundas!

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O Mito do Veganismo (1)

“O veganismo é uma filosofia de vida que exclui todas as formas de exploração e crueldade para com o reino animal e inclui uma reverência pela vida. Na prática se aplica seguindo uma dieta vegetariana pura e incentiva o uso de alternativas para todas as matérias derivadas parcial ou completamente de animais”.

– Donold Watson, membro fundador da Vegan Society (Sociedade Vegana).

Este pequeno texto não questionará a irracionalidade das ideias e valores (2) da filosofia vegana. Nesta ocasião demonstraremos que o veganismo é um mito na Sociedade Tecno-industrial e como é um obstáculo para entender e atuar pela verdadeira Libertação Animal (3).

O veganismo é um mito. Nada nem ninguém é vegano dentro da moderna Sociedade Tecno-industrial. No entanto, são muitos os ingênuos que acreditam neste mito e que creem que seus alimentos, vestimenta, calçado, produtos de higiene e beleza, aparatos tecnológicos, livros, música, bikes… e todo o lixo industrial que consomem compulsivamente é, segundo eles, “vegano”.

Mas na realidade é bem diferente disso. Todo esse resíduo industrial denominado “vegano” não poderá conter materiais de animais não-humanos, ok, mas, na verdade, contém… ou melhor dizendo, de fato colaboram com a exploração animal, humana e não humana.

Então se retomarmos nossa definição anterior de veganismo, “… uma filosofia de vida que exclui toda forma de exploração e crueldade para com o reino animal…”, é evidente que não é coerente com a filosofia porque contribui com a exploração sistemática do reino animal, logo, o veganismo é um mito.

Os autodenominados “veganos” são muito ingênuos ao não analisar, questionar e entender o funcionamento da complexa realidade e do grande complexo sistema social em que vivemos.

Todo alimento ou produto que provenha da moderna Sociedade Tecno-industrial não está livre de colaborar com a exploração e domesticação sistemática do reino animal e ambiental.

As sementes, frutas e verduras que produz e distribui a moderna Sociedade Tecno-industrial não são veganas já que a moderna agricultura industrial necessita de:

a) desmatar grandes extensões de terra fértil para aproveitar a fertilidade deste solo e convertê-lo em um campo de cultivo. Desmatar significa; destruir o ecossistema que ocupava este solo. Deve-se cortar ou incendiar a vegetação deste ecossistema e em seguida é necessário assassinar, capturar, domesticar, deslocar ou até extinguir as diferentes espécies de animais deste ecossistema. Isso aniquila todas as complexas relações e interações que mantinha esse ecossistema consigo mesmo (ecossistema e habitantes) e a relação que esse ecossistema mantinha com outros ecossistemas e com o planeta em geral.

b) já que se tem o campo de cultivo pronto, se necessita de camponeses que trabalharão a terra, há a necessidade de suas ferramentas (máquinas ou animais não-humanos de trabalho), se necessitam as sementes (nativas ou transgênicas) que serão semeadas, se necessita o fertilizante (natural ou industrial), se necessitam inseticidas (naturais ou industriais), se necessita a água para irrigação, etc…

E uma vez obtida a colheita ela é vendida a intermediários, eles a transportarão, armazenarão e distribuirão, até que finalmente esta semente, fruta ou verdura chegará ao estabelecimento comercial onde os “veganos” farão suas compras.

Então para poder realizar todo este processo é necessário utilizar a grande e complexa divisão do trabalho da moderna Sociedade Tecnológica, e em todas estas grandes complexas relações existe exploração e domesticação sistemática do reino animal e ambiental.

Alguns “veganos” poderão argumentar em sua defesa que as sementes, frutas e verduras que consomem não são de origem industrial, mas de hortas orgânicas, ok, mas se esta horta utiliza tecnologia moderna para a produção, armazenamento e distribuição de seus alimentos e se para poder adquiri-los há circulação de dinheiro, inevitavelmente continua colaborando com as dinâmicas de exploração e domesticação sistemática, animal e ecológica.

Talvez, as sementes, frutas e verduras realmente veganas são as que colheriam cada indivíduo com técnicas como; a permacultura ou jardinagem orgânica, e com o uso de ferramentas ou tecnologia simples, já que apenas assim deixaria de depender do Sistema Tecno-industrial e haveria uma renúncia a seus mecanismo de poder, controle, domesticação e exploração sistemáticos, mas a maioria dos autodenominados “veganos” não plantam seu próprio alimento.

Os autodenominados “veganos” dependem da moderna Sociedade Tecno-industrial para poder levar a cabo sua dieta. Na Natureza Selvagem nenhum animal determina de que maneira se alimentará, isso em grande parte quem determina é o entorno natural no qual se desenvolve. A dieta onívora dos animais humanos não foi uma escolha, mas uma necessidade de sobrevivência, um requisito para poder sobreviver em distintos entornos, comer o que houver, o que se possar comer. O organismo humano não é especialista, é oportunista, e sua dieta onívora é uma prova disso.

O animal humano domesticado em sua jaula civilizada é quem é capaz de decidir como se alimentar (dieta vegetariana, vegana, frugívora ou carnívora), mas para que isso seja possível é necessário colaborar e manter sua condição de animal humano domesticado a serviço do progresso do Sistema Tecnológico.

Nenhum vegetariano, vegano ou frugívoro com este tipo de dieta sobreviveria como o animal humano realmente livre deveria ser no entorno onde deveria se desenvolver (Natureza Selvagem).

A maioria dos autodenominados “veganos”, talvez, não se considerem a si mesmos como o que realmente são: animais humanos.

E também é bem verdade que aqueles que lutam pela “Liberação Animal” não lutam por sua própria Liberdade Individual Selvagem e não questionam nada sobre sua própria condição de animais humanos domesticados.

Se as sementes, frutas e verduras que nos oferece a moderna Sociedade Tecno-industrial não são veganas, muito menos seus demais produtos nocivos de origem industrial são: vestimenta, calçado, produtos de higiene e beleza, livros, música, bikes…

Uma análise similar poderia ser aplicada aos produtos enganosamente chamados de “verdes” ou “ecológicos”.

Nenhum produto proveniente da moderna Sociedade Tecno-industrial é vegano, e muito menos ecológico.

Os autodenominados “veganos” poderão seguir enganando a outros e enganando a si mesmos, poderão seguir dependendo do sistema de domesticação e exploração sistemática.

Poderão seguir denunciando as condições de escravidão dos animais não-humanos; e tudo isso sem ver nem denunciar sua própria condição de animais humanos domesticados a serviço do Progresso Tecnológico.

Eles conseguem ver as jaulas dos demais animais, mas são cegos demais para ver a moderna jaula civilizada em que vivemos.

Poderão seguir lutando inutilmente pela “Libertação Animal” sem antes lutar primeiro por sua própria Liberdade Individual Selvagem. É muito engraçado como um animal domesticado pretende libertar a outros animais.

Poderão seguir defendendo e promovendo as ideias e valores do Sistema Tecnológico (esquerdismo), buscando apenas melhorá-lo com suas inúteis reformas, e não destruí-lo definitivamente.

Poderão seguir consumindo compulsivamente seus produtos ou alimentos nocivos industriais supostamente veganos.

Tudo isso apenas enganará e tranquilizará de alguma maneira sua consciência, mas na verdade não fará nada para tentar atacar a domesticação e exploração sistemática do reino animal nem muito menos fará algo contra a domesticação, devastação e artificialização sistemática da Natureza Selvagem.

Frente a irracional fraude que resulta a teoria e a prática vegana, decidimos:

Renunciar ao consumo desnecessário, reutilizar os materiais já produzidos e deixar de depender do Sistema Tecnológico, desenvolvendo nossa própria forma de vida autossuficiente, longe dos valores da jaula civilizada e o mais próximo de nossa Liberdade Individual e da Natureza Selvagem.

Pela verdadeira Libertação Animal!

Fogo nas jaulas, fogo na civilização!

Revolución Feral

Primavera de 2013

Notas:

(1) Estas ideias e valores a que nos referimos, são: animalismo, sentimentalismo, anti-especismo, biocentrismo, hedonismo, a religião, o esquerdismo, a suposta naturalidade do vegetarianismo nos animais humanos, ecologia social, misantropia, etc..

(2) Quando falamos do veganismo neste texto estamos nos referindo a todas suas “diferentes” vertentes, desde o “veganismo burguês” até o chamado “anarcoveganismo”. E desde o movimento pela “Libertação Animal” reformista até o movimento pela “Libertação Animal” abolicionista ou radical (ALF, Animal Liberation Front – FLA, Frente de Libertação Animal).

Os ativistas da ALF-FLA poderão argumentar que eles não são reformistas porque são de ação, mas a verdade é que eles são idênticos aos que compõem o movimento pela “Libertação Animal” reformista que tanto criticam. São reformistas por defender e promover os mesmos valores do Sistema Tecnológico (esquerdismo), eles não buscam destruir o Sistema Tecnológico, apenas procuram melhorá-lo, e o pior é que não são conscientes disso.

(3) Por Libertação Animal nós entendemos: animais humanos e não-humanos que desenvolvem sua vida em Liberdade, em seu habitat Natural e Selvagem.

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Nota do blog: concentração na temática crítica da civilização

O blog Kataklysma desde o seu surgimento tem seguido com a iniciativa de compartilhamento de materiais ecológicos radicais/anticivilização e também tem servido como um veículo de difusão de contrainformação anarquista. Agora anunciamos uma nova mudança.

Já há algum tempo o blog tem sido menos atualizado devido a seus colaboradores não terem tanta disponibilidade como antes e isso foi mencionado numa nota anterior juntamente com a notícia de que o blog iria quase abandonar a contrainformação e se concentrar na difusão de materiais (até então não somente relacionados a temática principal do espaço). O que se passa é que a indisponibilidade ainda continua e como não havíamos abandonado completamente a contrainformação continuamos prosseguindo com ela num rítimo lento. Diante desta situação a nova decisão tomada é a de dar prioridade a temática do blog que é a crítica contra a civilização e o progresso humano. Com isso abandonamos completamente a iniciativa de compartilhar materiais que não tenham relação com esta temática e isso inclui materais recebidos via email em nome de outros blogs ou indivíduxs.

Esta decisão de se concentrar na crítica contra a civilização e o progresso humano tem a intenção de valorizar o porque da criação deste espaço virtual. Sempre foi a nossa prioridade esta crítica e percebemos que ela não estava sendo efetuada com êxito e desta vez independente do rítimo esta será a prioridade. A única contrainformação a ser divulgada será a que também estiver relacionada com a temática do blog (isso inclui atos de subversão e de delinquência que ameaçam e danam de algum modo a sociedade tecno-industrial e a civilização tal qual como conhecemos juntamente com a sua cultura).

Que os cataclismas sigam devastando a civilização maldita. Seus cúmplices nós somos.

Kataklysma blog.

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“O Truque Mais Hábil do Sistema”, por Ted ‘Unabomber’ Kaczynski

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Texto copiado do Protopia. Nele Kaczynski aponta a melhor armadilha do sistema tecno-industrial para se manter de pé com uma forte ajuda do esquerdismo.

“O luxo supremo da sociedade do imperativo técnico será grunhir o bônus de revolta inútil e de um sorriso condescendente.” — Jacques Ellul

O sistema tem realizado um truque nos pretensos revolucionários e rebeldes. O truque é tão belo que se fosse conscientemente planejado teríamos de admirá-lo por sua elegância quase matemática.

1. O que o sistema não é

Vamos começar deixando claro o que o sistema não é. O sistema não é o presidente, seus assessores e funcionários, não é a polícia que maltrata os manifestantes, não é o diretor executivo das corporações multinacionais e não são os Frankensteins em seus laboratórios que criminosamente modificam os genes das formas de vida. Esses são servos do sistema, mas individualmente não constituem o sistema. Para essas pessoas na vida privada, os valores pessoais, individuais, atitudes, crenças e comportamento podem estar em significativo conflito com as necessidades do sistema.

Ilustrando com um exemplo, o sistema exige o respeito pelos direitos de propriedade, no entanto, às vezes o roubo é cometido por diretores executivos, policiais, cientistas e políticos. (Ao falar de roubo não temos de nos limitar ao de objetos físicos. Podemos incluir todos os meios ilegais de aquisição de propriedade, como as fraudes de Imposto de Renda, aceitar subornos e qualquer outra forma de corrupção.) Mas não significa que o roubo seja parte do sistema pelo fato de diretores executivos, policiais, cientistas e políticos às vezes roubarem.

Pelo contrário, quando um policial ou um político rouba algo ele está se rebelando contra a exigência do sistema pelo respeito a lei e à propriedade. No entanto, mesmo quando estão roubando, estas pessoas continuam a ser servos do sistema, desde que mantenham publicamente o seu apoio pela lei e a propriedade.

Quaisquer atos ilegais cometidos por políticos, policiais, ou diretores executivos, enquanto indivíduos, como o roubo, o suborno, a corrupção, não fazem parte do sistema, mas são doenças dele. Quanto menos roubo houver, melhor será o funcionamento do sistema e é por isso que os servos e os promotores do sistema sempre defendem a obediência à lei em público mesmo que às vezes, em particular, acham conveniente quebrar a lei.

Vejamos outro exemplo. Embora a polícia seja executora do sistema, a brutalidade policial não é parte do sistema. Quando policiais espancam um suspeito, eles não estão fazendo o trabalho do sistema, estão apenas deixando escapar sua própria raiva e hostilidade. O objetivo do sistema não é a brutalidade ou a expressão de raiva. O objetivo do sistema, no que se refere ao trabalho da polícia, é forçar a obediência às suas regras e fazê-lo com o mínimo possível de conflito, violência e má publicidade. Assim, do ponto de vista do sistema, o policial ideal é aquele que nunca se irrita, não usa violência mais do que o necessário e, na medida do possível, utiliza da manipulação ao invés da força para manter as pessoas sob controle. A brutalidade policial é apenas uma outra doença do sistema, não uma parte do sistema.

Para provar, observe a atitude da mídia. A mídia quase universalmente condena a brutalidade policial. É claro que a atitude da mídia dominante representa, como regra geral, o consenso da opinião das classes poderosas da nossa sociedade do que é bom para o sistema.

O que foi dito sobre roubo, corrupção e brutalidade policial aplica-se também a questões de discriminação e vitimização como o racismo, sexismo, homofobia, pobreza e exploração no trabalho. Esses todos são ruins para o sistema. Por exemplo, quanto mais os negros sentirem-se desprezados ou excluídos, mais provável é irem para a criminalidade e menos provável se educarem e seguirem carreiras que os tornarão úteis para o sistema. A tecnologia moderna, com seu rápido transporte de longa distância e seu rompimento com os modos de vida tradicionais levou a mistura de populações de modo que hoje pessoas de diferentes raças, nacionalidades, culturas e religiões têm de conviver e trabalhar lado a lado. Se as pessoas odiarem ou rejeitarem umas as outras com base na etnia, raça, religião, preferência sexual, etc., os conflitos resultantes interferirão com o funcionamento do sistema. Com exceção de algumas relíquias fossilizadas do passado, como Jesse Helms, os dirigentes do sistema sabem disso muito bem e é por isso que através das escolas e da mídia é ensinado a acreditar que o racismo, o sexismo, a homofobia etc., são males sociais a serem eliminados.

Sem dúvida que alguns líderes do sistema, alguns políticos, cientistas e diretores executivos, acham em seu íntimo que o lugar da mulher é em casa ou que o homossexualismo e o casamento interracial são repugnantes. Mas mesmo se a maioria deles se sentirem dessa maneira, não significa que o racismo, o sexismo e a homofobia façam parte do sistema – não mais do que a existência do roubo entre os líderes significar que o rouba seja parte do sistema. Assim, como o sistema deve promover o respeito à lei e à propriedade para sua própria segurança, o sistema, pela mesma razão, também deve desencorajar o racismo e outras formas de vitimização. É por isso que o sistema, sem prejuízo de eventuais desvios particulares de membros da elite, é basicamente comprometido na supressão da discriminação e vitimização.

Como evidência, veja novamente a atitude da mídia dominante. Apesar das tímidas dissidências ocasionais de alguns dos comentadores mais ousados e reacionários, a propaganda da mídia é esmagadoramente favorável a igualdade racial, de gênero, na aceitação da homossexualidade e do casamento inter-racial [1].

O sistema precisa de uma população mansa, pacífica, domesticada, dócil e obediente. Precisa evitar qualquer conflito ou perturbação que possa interferir com o bom funcionamento da máquina social. Além de suprimir as hostilidades dos grupos raciais, étnicos, religiosos e outros, também tem de suprimir, ou explorar em benefício próprio, todas as outras tendências que podem levar à perturbação ou desordem, como o machismo, os impulsos agressivos e qualquer inclinação para a violência.

Naturalmente, os tradicionais antagonismos raciais e étnicos morrem lentamente, o machismo, a agressividade e os impulsos violentos não são facilmente reprimíveis e as atitudes em relação ao sexo e identidade de gênero não se transformam da noite para o dia. Portanto, há muitos que resistem a essas mudanças e o sistema é confrontado com o problema de superar essa resistência [2].

2. Como o sistema explora o impulso para rebelião

Na sociedade moderna somos todos cercados por uma densa rede de normas e regulamentos. Estamos à mercê de grandes organizações como empresas, governos, sindicatos, universidades, igrejas, partidos políticos e em consequência disso somos impotentes. Como resultado da servidão, impotência e outras indignidades impostas pelo sistema, há uma frustração generalizada que leva a um impulso de rebelião. E é aqui onde o sistema realiza seu truque mais hábil: através de um brilhante movimento de mão ele direciona a rebelião em seu próprio benefício.

Muitas pessoas não compreendem as raízes da sua própria frustração, disso resultando uma revolta sem rumo. Eles sabem que querem se rebelar, mas não sabem contra o que se rebelar. O sistema, por sorte, é capaz de atender essas necessidades proporcionando-lhes uma lista de estereotipadas queixas-padrão para se rebelarem: racismo, homofobia, questões das mulheres, pobreza, exploração no trabalho… Todo o saco de roupas-sujas das lutas “ativistas”.

Um grande número de pretensos rebeldes mordem a isca. Na luta contra o sexismo, o racismo, etc., etc., estão apenas trabalhando para o sistema. E apesar disso, eles imaginam que estão se rebelando contra o sistema. Como isto é possível?

Em primeiro lugar, até os anos 1950 o sistema ainda não estava comprometido com a igualdade para negros, mulheres e homossexuais, portanto, a ação em prol dessas causas era realmente uma forma de rebelião. Como consequência, essas causas passaram a ser convencionalmente consideradas como causas rebeldes. Elas atualmente mantêm esse status como uma simples questão de tradição, isto é, porque cada geração rebelde imita as gerações anteriores.

Em segundo lugar, há ainda um número significativo de pessoas, como indiquei anteriormente, que resistem às mudanças sociais que o sistema requer e algumas destas pessoas ainda são figuras de autoridade, como policiais, juízes ou políticos. Estes reacionários fornecem um alvo para os pretensos rebeldes, alguém contra quem se rebelarem. Comentaristas como Rush Limbaugh, vociferando contra os ativistas, ajudam no processo: Os ativistas ao verem que irritaram alguém, reforçam a ilusão de que estão se rebelando.

Em terceiro lugar, a fim de entrarem em conflitos, mesmo com a maioria dos dirigentes do sistema aceitando plenamente as mudanças sociais que o sistema exige, os pretensos rebeldes mostram raiva exagerada sobre assuntos triviais e insistem em soluções que vão além do que os dirigentes do sistema consideram prudente. Por exemplo, exigem o pagamento de indenizações aos negros e muitas vezes se enfurecem com qualquer crítica a um grupo minoritário, não importando o quão prudente e razoável seja a crítica. Desta forma, os ativistas são capazes de manter a ilusão de estarem se rebelando contra o sistema. Mas a ilusão é um absurdo. Agitação contra o racismo, o sexismo, a homofobia e afins não constituem uma rebelião contra o sistema, mais do que a agitação contra a disputa política e a corrupção. Aqueles que trabalham contra a corrupção não estão se rebelando, mas atuando como agentes do sistema: Eles estão ajudando a manter os políticos obedientes às regras do sistema. Aqueles que trabalham contra o racismo, sexismo e homofobia estão igualmente agindo como aplicadores do sistema: Eles ajudam o sistema suprimir o desvio racista, sexista, homofóbico e atitudes que causam problemas para o sistema. Mas os ativistas não atuam apenas como aplicadores do sistema, também servem como uma espécie de pára-raios, que protege o sistema ao afastarem o ressentimento público para longe do sistema e de suas instituições. Por exemplo, há várias razões pelo qual foi vantajoso para o sistema ter as mulheres fora de casa e no trabalho. Se o sistema, há cinquenta anos, como representado pelo governo ou pela mídia, tivesse começado do nada uma campanha destinada a tornar socialmente aceitável que mulheres centralizassem suas vidas na carreira e não em casa, a natural resistência humana a mudanças teria causado um generalizado ressentimento público. O que realmente aconteceu foi que as alterações foram lideradas por feministas radicais, direcionadas a uma distância segura pelas instituições do sistema. O ressentimento dos membros mais conservadores da sociedade era dirigido principalmente contra as feministas mais radicais, do que contra o sistema e suas instituições, porque as alterações patrocinadas pelo sistema pareciam lentas e moderadas se comparadas com as soluções mais radicais defendidas pelas feministas e, mesmo estas mudanças relativamente lentas, foram vistas como tendo sido forçadas por pressão dos radicais.

Assim, em poucas palavras, o truque mais hábil do sistema é o seguinte:

(A) Por razões de sua própria eficiência e segurança, o sistema precisa trazer mudanças sociais profundas e radicais para conciliar com as novas condições resultantes do progresso tecnológico.

(B) A frustração da vida sob estas circunstâncias impostas pelo sistema conduz a impulsos rebeldes.

(C) Impulsos rebeldes são cooptados pelo sistema a serviço das mudanças sociais que ele exige; ativistas se “rebelam” contra valores antigos e ultrapassados que já não servem para o sistema e em favor de novos valores que o sistema precisa que aceitemos.

(D) Desta maneira, os impulsos rebeldes que de outra forma seriam perigosos para o sistema recebem um escape que não é apenas inofensivo, mas útil ao sistema.

(E) Muito do ressentimento público resultante da imposição de mudanças sociais é removido do sistema e suas instituições e é dirigido para os radicais que lideram as mudanças sociais.

É claro que este truque não foi antecipadamente planejado pelos dirigentes do sistema, que sequer estão conscientes de um truque ter sido realizado. A forma como ele funciona é mais ou menos assim:

Ao decidir que posição tomar sobre qualquer assunto, os editores, publicitários e proprietários dos meios de comunicação devem, consciente ou inconscientemente, considerar vários fatores. Eles devem considerar como os seus leitores ou espectadores vão reagir ao divulgado sobre um assunto, devem considerar como seus anunciantes, seus colegas na mídia e outras pessoas poderosas irão reagir e devem considerar o efeito na segurança do sistema do que publicarem ou transmitirem.

Normalmente estas considerações práticas superam qualquer sentimento pessoal que possam ter sobre o assunto. São variados os sentimentos pessoais dos líderes da mídia, anunciantes e outras pessoas poderosas.Eles podem ser liberais ou conservadores, religiosos ou ateus. O único terreno comum e universal entre os líderes é o seu comprometimento com o sistema, sua segurança e seu poder. Portanto, dentro dos limites impostos pelo o que o público está disposto a aceitar, o principal fator determinante do divulgado pelos meios de comunicação é um consenso de opinião, entre os líderes da mídia e outras pessoas poderosas, do que seja bom para o sistema.

Então, quando um editor ou outros líderes da mídia decidem qual atitude tomar sobre um movimento ou uma causa, o primeiro pensamento é saber o que há no movimento que seja bom ou ruim para o sistema. Talvez ele diga para si mesmo que sua decisão tenha motivações morais, filosóficas ou religiosas, mas é um fato observável que, na prática, a segurança do sistema tem prioridade sobre todos os outros fatores ao determinar a atitude da mídia. Por exemplo, se um editor de revista de notícias observa os movimentos da milícia, ele pode ou não simpatizar pessoalmente com algumas das reivindicações e objetivos, mas ele também vê que haverá um forte consenso, entre seus anunciantes e colegas na mídia, de que os movimentos da milícia são potencialmente perigosos para o sistema e, portanto, devem ser desencorajados. Ele sabe que, sob estas circunstâncias, sua revista deve tomar uma atitude negativa em relação ao movimento da milícia. A atitude negativa da mídia provavelmente é parte da razão pela qual o movimento das milícias enfraquece.

Quando o mesmo editor observa o feminismo radical, ele vê que algumas das soluções mais extremas seriam perigosas para o sistema, mas ele também vê que o feminismo tem muito de útil ao sistema. As participações das mulheres no mundo técnico e empresarial integram melhor elas e suas famílias no sistema. Seus talentos estão a serviço do sistema em questões técnicas e de negócios. A ênfase feminista pelo fim da violência doméstica e estupro também atende às necessidades do sistema, já que o estupro e o abuso, assim como outras formas de violência, são perigosos para o sistema. Talvez o mais importante: o editor reconhece que a lástima, a falta de sentido do trabalho doméstico moderno e o isolamento social da dona de casa moderna podem levar a muitas mulheres grave frustração, frustração esta que causará problemas para o sistema a menos que seja permitido às mulheres um escape em carreiras no mundo técnico e empresarial.

Mesmo que este editor seja um machista, que pessoalmente se sinta mais confortável com as mulheres numa posição subalterna, ele sabe que o feminismo, pelo menos em uma forma relativamente moderada, é bom para o sistema. Ele sabe que sua postura editorial deve ser favorável com o feminismo moderado ou enfrentará a desaprovação de seus anunciantes e outras pessoas poderosas. É por isso que a atitude da mídia tem sido geralmente de apoio ao feminismo moderado, misturado ao feminismo radical e constantemente hostil somente com as posições feministas mais extremas. Através deste processo os movimentos rebeldes que são perigosos para o sistema estão sujeitos a propaganda negativa, enquanto que os movimentos rebeldes que se acreditam úteis para o sistema são cautelosamente incentivados na mídia. A inconsciente absorção da mídia e da propaganda influencia os pretensos rebeldes a se “rebelarem” de modo a servir os interesses do sistema.

Os intelectuais universitários também desempenham um papel importante na realização do truque do sistema. Embora apreciem se imaginarem pensadores independentes, os intelectuais (com exceções individuais) são o grupo atual mais sobressocializado, mais conformista, mais manso, mais domesticado, mais mimado, dependente e fraco. Como resultado, seu impulso para rebelião é particularmente forte. Mas porque são incapazes de pensamento independente para eles é impossível a rebelião real. Como consequência, são os bobos do truque do sistema, que lhes permite irritar as pessoas e apreciarem a ilusão de rebelião sem jamais desafiar os valores fundamentais do sistema. Por serem professores dos jovens os intelectuais universitários estão em posição de ajudar o sistema a desempenhar o seu truque nos jovens, o que fazem ao direcionar os impulsos dos jovens rebeldes para as metas normatizadas e estereotipadas: o racismo, o colonialismo, as questões das mulheres, etc. Os jovens que não são estudantes universitários aprendem, através da mídia ou através do contato pessoal, as questões de “justiça social” dos estudantes rebeldes e os imitam. Desse modo, uma cultura juvenil se desenvolve em um modo estereotipado de rebelião que se espalha através da imitação dos seus pares – tal como os penteados, estilos, roupas e outras modas difundidas através da imitação.

3. O truque não é perfeito

O truque do sistema, naturalmente, não funciona perfeitamente. Nem todas as posições adotadas pela comunidade “ativista” são consistentes com as necessidades do sistema. Neste contexto, algumas das dificuldades mais importantes que o sistema lida estão relacionadas com o conflito entre os dois tipos de propaganda que este tem que usar: propaganda de agitação e propaganda de integração [3].

A propaganda de integração é o principal mecanismo de socialização na sociedade moderna. É a propaganda projetada para incutir nas pessoas atitudes, crenças, valores e hábitos para serem ferramentas do sistema seguras e úteis. Ela ensina as pessoas a reprimir ou sublimar permanentemente os impulsos emocionais que são perigosos para o sistema. Seu foco está nas atitudes de longo prazo e valores mais profundos de ampla aplicabilidade, ao invés de atitudes específicas e questões momentâneas.

A propaganda de agitação joga com as emoções das pessoas em situações específicas em vigor de modo a trazer a tona certas atitudes ou comportamentos. Ao invés de ensinar as pessoas a suprimirem perigosos impulsos emocionais, visa estimular certas emoções para fins bem definidos, em momentos determinados.

O sistema precisa de uma população ordenada, dócil, cooperativa, passiva e dependente. Acima de tudo de uma população não-violenta uma vez que requer do governo o monopólio no uso da força física. Por esta razão a propaganda de integração precisa nos ensinar a ficarmos horrorizados, assustados e chocados com a violência, para que não a usemos mesmo quando com muita raiva. (Por “violência” nos referimos a agressões físicas em seres humanos.) De maneira geral, a propaganda de integração tem de nos ensinar valores mansos e suaves que enfatizam a não-agressividade, interdependência e cooperação.

Por outro lado, em contextos específicos para alcançar seus próprios objetivos, o próprio sistema considera útil ou necessário recorrer à métodos brutais e agressivos. A guerra é o exemplo mais óbvio. Em tempo de guerra o sistema depende da propaganda de agitação: Para obter aprovação pública a uma ação militar ele joga com as emoções das pessoas para torná-las assustadas e com raiva de inimigos reais ou imaginários.

Nesta situação há um conflito entre a propaganda de integração e a propaganda de agitação. Aqueles dos quais os valores mais mansos e a aversão à violência têm sido mais profundamente incutidos não são facilmente convencidos a aprovar uma sangrenta operação militar. Aqui o truque do sistema, em certa medida, sai pela culatra. Os ativistas que se “rebelaram” todo o tempo em favor dos valores da propaganda de integração, continuam a fazê-lo durante a guerra. Eles se opõem ao esforço de guerra, não apenas por ser violenta, mas por ser “racista”, “colonialista”, “imperialista”, etc., todos contrários aos valores suaves e mansos ensinados pela propaganda de integração.

O truque do sistema também sai pela culatra quando o assunto é o tratamento dos animais. Muitos, inevitavelmente, estendem aos animais os valores suaves e a aversão à violência que lhes é ensinada no que diz respeito aos seres humanos. Eles se horrorizam com o abate de animais para carne e outras práticas prejudiciais aos animais, tais como a redução das galinhas a meras produtoras de ovos, mantidas em pequenas gaiolas ou na utilização de animais em experimentos científicos. A oposição aos maus-tratos de animais pode ser útil para o sistema, até certo ponto: porque uma dieta vegana é mais eficiente em termos de utilização de recursos do que uma carnívora, o veganismo, se amplamente adotado, contribuirá no alivio do fardo colocado sobre os recursos limitados da Terra pelo crescimento da população humana. Mas a insistência dos ativistas pelo fim do uso de animais em experiências científicas está diretamente em conflito com as necessidades do sistema, uma vez que, para o futuro próximo, não é provável existir algum substituto viável para os animais como objetos de pesquisa. Igualmente, o fato de o truque do sistema falhar algumas vezes não o impede de ser um dispositivo extraordinariamente eficaz, como um todo, em transformar impulsos rebeldes em vantagem do sistema.

É preciso reconhecer que o truque aqui descrito não é o único fator determinante na direção em que os impulsos rebeldes tomam em nossa sociedade. Muitas pessoas sentem-se fracas e impotentes (pela boa razão de que o sistema realmente nos torna fracos e impotentes) e, portanto, obsessivamente identificadas com as vítimas, os fracos e oprimidos. Essa é parte da razão pelo qual as questões de vitimização tornaram-se o padrão de questões ativistas, como o racismo, o sexismo, a homofobia e neo-colonialismo.

4. Um exemplo

Tenho comigo um livro de antropologia [4], em que noto vários bons exemplos da maneira em que os intelectuais universitários na sociedade moderna ajudam o sistema em seu truque disfarçando conformidade como crítica. O mais bonito destes exemplos é encontrado nas páginas 132-36, onde o autor cita de modo “adaptado” um artigo de um Rhonda Kay Williamson, uma pessoa intersexual (isto é, uma pessoa que nasce com características físicas masculinas e femininas).

Williamson afirma que os índios americanos não só aceitavam pessoas intersexuais, mas especialmente os valorizavam [5]. Ela contrasta esta atitude com a atitude euro-americana, o qual ela identifica com a atitude de que seus próprios pais sobre ela. Williamson foi maltratada cruelmente pelos seus pais. Eles a desprezavam pela sua condição intersexual. Diziam-na que ela foi “amaldiçoada e entregue ao diabo” e a levaram para igrejas carismáticas para expulsarem o “demônio” dela. Ela ainda recebeu guardanapos para “tossir o demônio”.

Mas é obviamente ridículo equiparar isso com a moderna atitude euro-americana. Pode ser próxima a atitude euro-americana de há 150 anos, mas hoje em dia quase todo o educador, psicólogo, sacerdote ou membro superior do clero, ficaria horrorizado com esse tipo de tratamento de uma pessoa intersexual. A mídia nunca sonharia apresentar esse tratamento favoravelmente. Os atuais americanos de classe média podem não aceitar a condição intersexual como os índios, mas poucos deixariam de reconhecer a crueldade do tratamento de Williamson.

Os pais de Williamson obviamente eram desvios, malucos religiosos cujas atitudes e crenças estavam fora dos valores do sistema. Desse modo, ao apresentar uma crítica da moderna sociedade euro-americana, Williamson estava realmente atacando os desvios minoritários e culturalmente atrasados que ainda não se adaptaram aos valores dominantes da América atual.

Haviland, autor do livro, na página 12 retrata a antropologia cultural como iconoclasta, desafiando os pressupostos da moderna sociedade ocidental. Isto é tão contrário a verdade que seria engraçado se não fosse tão patético. O dominante da antropologia americana moderna é desprezível subserviente aos valores e pressupostos do sistema. Quando os atuais antropólogos fingem desafiar os valores de sua sociedade, geralmente questionam apenas valores antigos, obsoletos e ultrapassados, mantidos por ninguém, a não ser os desvios e retardatários que não acompanharam as mudanças culturais que o sistema exige de nós.

Isso é muito bem ilustrado pelo uso do artigo de Williamson e representa a inclinação geral do livro de Haviland. Haviland joga com fatos etnográficos que ensina seus leitores lições de politicamente correto, mas ele subestima ou omite totalmente os fatos etnográficos que são politicamente incorretos. Assim, enquanto ele cita Williamson para enfatizar a aceitação das pessoas intersexuais pelos índios ele não menciona, por exemplo, que entre muitas tribos indígenas, as mulheres que cometiam adultério tinham o nariz cortado [6], enquanto que nenhuma punição era infligida a homens adúlteros; ou que entre os índios Crow se um guerreiro fosse atingido por um estranho tinha que matar imediatamente o ofensor, senão ele ficaria irremediavelmente desonrado aos olhos de sua tribo [7]; Haviland nem discutiu o habitual uso da tortura pelos índios do leste dos Estados Unidos [8]. É claro que fatos dessa natureza representam a violência, o machismo, a discriminação de gênero e, portanto, são incompatíveis com os valores atuais do sistema e costumam ser censurados como politicamente incorretos. Mas não duvido de que Haviland seja perfeitamente sincero em sua crença de que os antropólogos desafiam as suposições da sociedade ocidental. A capacidade de auto-ilusão dos intelectuais universitários facilmente se estica tão longe.

Para concluir, quero deixar claro que não estou sugerindo que seja bom cortar o nariz para o adultério ou que qualquer outro abuso de mulheres deva ser tolerado, nem quero ver ninguém desprezado ou rejeitado por ser intersexual ou por causa de sua raça, religião, orientação sexual, etc., etc., etc. Mas atualmente em nossa sociedade estas questões são, no máximo, problemas de reforma. O truque mais hábil do sistema consiste em converter poderosos impulsos rebeldes a serviço destas modestas reformas que de outra forma tomariam uma direção revolucionária.

Notas:

[1] Mesmo a análise mais superficial da mídia de massa, nos modernos países industrializados ou mesmo em países que apenas aspiram à modernidade, confirma que o sistema é comprometido com a eliminação da discriminação em matéria de religião, raça, sexo, orientação sexual, etc, etc, etc. Seria fácil encontrar milhares de exemplos que ilustram isso, mas aqui podemos citar apenas três, de três países diferentes.

Estados Unidos: “Mostra Pública de Afeto”, USA News & World Report, 09 de setembro de 2002, páginas 42-43. Este artigo fornece um bom exemplo de como a propaganda funciona. Toma uma posição ostensivamente objetiva ou neutra sobre uniões homossexuais, dando algum espaço para as opiniões daqueles que se opõem a aceitação pública da homossexualidade. Mas quem lê o artigo, com o seu tratamento distintamente simpático a um casal homossexual, terá a impressão de que a aceitação da homossexualidade é desejável e, a longo prazo, inevitável. Particularmente importante é a fotografia do casal homossexual em questão: Um par fisicamente atraente foi selecionado e foi fotografado atraentemente. Ninguém com um mínimo de compreensão da propaganda pode deixar de ver que o artigo constitui propaganda a favor da aceitação da homossexualidade. E tenha em mente que os USA News & World Report é uma revista de centro-direita.

Rússia: “Putin denuncia intolerância”, The Denver Post, 26 de julho de 2002, página 16A. “Moscou, o presidente Vladimir Putin criticou veementemente o preconceito racial e religioso na quinta-feira, ‘Se deixarmos essa bactéria chauvinista de intolerância nacional ou religiosa se desenvolver, vamos arruinar o país’, disse Putin em declarações reproduzidas com destaque na televisão russa, na noite de quinta-feira”. Etc, etc.

México: “Persiste Racismo contra indígenas” (“O racismo contra os povos indígenas persiste”), El Sol de Mexico, 11 de janeiro de 2002, página 1/B. Legenda de foto: “Apesar dos esforços em dar dignidade ao povo indígena de nosso país, eles continuam a sofrer discriminação…”. O artigo relata os esforços dos bispos do México em combater a discriminação, mas diz que os bispos querem “purificar” os costumes indígenas a fim de libertar as mulheres de seu status tradicional de qualidade inferior. El Sol de México tem a reputação de ser um jornal de centro-direita.

Qualquer um que quiser pegar o problema pode multiplicar por mil os exemplos. A evidência de que o próprio sistema é empenhado em eliminar a discriminação e vitimização é tão óbvia e tão grande que não da para imaginar porque os radicais acreditam que a luta contra estes males é uma forma de rebelião. Só se pode atribuir a um fenômeno bem conhecido dos propagandistas profissionais: As pessoas tendem a bloquear, a não perceber ou recordar informações que entram em conflito com sua ideologia. Veja o artigo interessante, “Propaganda”, em The New Encyclopædia Britannica, Volume 26, Macropædia, 15ª edição, 1997, p. 171-79, especificamente a página 176.

[2] Nesta seção eu disse algo sobre o que o sistema não é, mas não disse o que o sistema é. Um amigo meu indicou que isso pode deixar o leitor perplexo, então eu acho melhor explicar que, para efeitos deste artigo, não é necessário ter uma definição precisa do que o sistema é. Eu não pensaria em alguma forma de definir o sistema em uma única e bem-definida frase e eu não quero quebrar a continuidade do trabalho e com uma longa, desajeitado, e desnecessário digressão abordando a questão do que o sistema é, então deixei essa pergunta sem resposta. Não acho que a minha falta de resposta prejudicará gravemente a compreensão do leitor sobre o ponto que eu quero fazer neste artigo.

[3] Os conceitos de “propaganda de integração” e “propaganda de agitação” são discutidos por Jacques Ellul, em seu livro Propaganda, pub. Alfred A. Knopf 1965.

[4] Haviland, W. A., Cultural Anthropology, 9 Ed Harcourt Brace & Company, 1999.

[5] Presumo que esta afirmação é preciso. Isso certamente reflete a atitude navajo. Ver Gladys A. Reichard, Navaho Religion: A Study of Symbolism, Princeton University Press, 1990, page 141. Este livro foi publicado originalmente em 1950, bem antes de a antropologia Americana ser imensamente politizada, então não vejo motivo para ver tal informação como um caso à parte.

[6] Isto é bem conhecido. Ver, e.g., Angie Debo, Geronimo: The Man, His Time, His Place, University of Oklahoma Press, 1976, página 225; Thomas B. Marquis (interpreter), Wooden Leg: A Warrior Who Fought Custer, Bison Books, University of Nebraska Press, 1967, página 97; Stanley Vestal, Sitting Bull, Champion of the Sioux: A Biography, University of Oklahoma Press, 1989, página 6; The New Encyclopædia Britannica, Vol. 13, Macropædia, 15th Edition, 1997, artigo “American Peoples, Native”, página 380.

[7] Russell, Osborne, Journal of a Trapper, Bison Books edition, página 147.

[8] O uso da tortura por índios do oeste dos EUA é bem conhecido. Ver, e.g., Clark Wissler, Indians of the United States, Revised Edition, Anchor Books, Random House, New York, 1989, páginas 131, 140, 145, 165,282; Joseph Campbell, The Power of Myth, Anchor Books, Random House, New York, 1988, página 135; The New Encyclopædia Britannica, Vol. 13, Macropædia, 15th Edition, 1997, o artigo “American Peoples, Native”, page 385; James Axtell, The Invasion Within: The Contest of Cultures in Colonial North America, Oxford University Press, 1985, citação de página não disponível.

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[Porto Alegre] Ataque a uma viatura da polícia civil – Solidariedade com os sequestrados nas gaiolas dos Estados

Uma viatura da PM perseguia uma moto com duas pessoas nas ruas de Guarulhos quando perdeu os controle da viatura e capotou o Sargento que estava na viatura acabou falecendo os dois menores da moto foram preso fugiram da PM porque não tinha carta de motorista e por serem menores.Carlos Pessuto/Futura Press

Recebido no email:

Na madrugada do dia 25 de setembro, deixamos uma carga incendiaria embaixo duma viatura na primeira delegacia da polícia civil, situada na rua Canabarro.

Ainda quando na cidade se respira o ar repressivo com a chegada da Força Nacional, conseguimos atacar. E não somos os únicos, o ataque à polícia neste território não é exclusividade nem profissão de ninguém. Abraçamos essa atitude de irreverencia, e celebramos o fogo na delegacia da vila Cruzeiro. Que a revolta e o ataque sejam permanentes!

Toda forma de polícia é inimiga da liberdade. Não só a polícia militar é repressiva e assassina. Há toda uma rede que defende a “ordem social”: Os p2 fazem um trabalho de inteligência para perseguir e encarcerar a todos os que não aceitam serem submissos a esse sistema, a guarda municipal é quem cuida da “limpeza social” das ruas das cidades, perseguindo moradores de rua, vendedores ambulantes etc… enquanto nos protestos pedem o fim da polícia militar esquecendo que toda polícia busca a eliminação da divergência… toda polícia é nossa inimiga.

Junto com nosso gosto por atacar esta força repressiva, nossos inimigos de sempre, nos acompanha também o desejo de mandar um abraço para nossos companheiros. Aos inquebrantáveis guerrilheiros urbanos da Conspiração das Células de Fogo que seguem lutando dentro das prisões gregas (estamos com vocês, hoje e sempre). Aos compas da Itália sequestrados pelos ataques da FAI/FRI. A Rafael Braga Vieira, que ainda se encontra preso no Rio, acuado absurdamente por portar uma garrafa de pinho sol durante uma manifestação em 2013.

Pelo fim de todo tipo de polícia e pela propagação dos ataques contra a dominação.

Alguns amigos da revolta

PD. Os meios de comunicação assim como a própria polícia não falaram sobre o acontecido, obviamente, não seria muito estratégico expor suas fraquezas, vai que outros “vândalos” e rebeldes se inspiram e busquem atacar novamente as “forças da ordem” na sua própria casa….

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[Filme] Instinto

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Sinopse:

Em uma de suas viagens o Dr. Ethan Powell (Anthony Hopkins), um famoso antropologista, desaparece. Ele é encontrado em Ruanda dois anos depois vivendo de modo selvagem entre gorilas, mas antes de ser detido ele mata três homens e fere dois, todos caçadores. Após algum tempo o governo americano consegue sua custódia e ele passa a ser analisado pelo Dr. Theo Calder (Cuba Gooding Jr.), um psiquiatra que considera este caso uma oportunidade rara. Mas por algum motivo o Dr. Powell não fala uma única palavra, mas aos poucos esta barreira é quebrada e o médico aprende muito da vida com o antropólogo, que muitos consideram louco. Dr. Ethan Powell (Anthony Hopkins), ao contrário do que muitos especialistas previam não era nenhum louco, mas havia se tornando um homem extremamente lúcido que renunciou à vida civilizada e a todo civismo e passou a viver primitivamente de modo livre e selvagem no meio das florestas, se tornando então um grande e consciente crítico e opositor da civilização, da vida moderna e da dominação e um indívuo que busca as raízes humanas mais profundas.

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(México) Atentado incendiário contra veículos policiais

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Recebido no email.

“Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da inteligência” – W. Blake

Na madrugada de 13 de setembro às 3:30 foram colocados dois artefatos explosivos-incendiários em duas patrulhas procedentes de um módulo policial localizado na colônia “Rio de Luiz” em Ecatepec de Morelos, Estado de México. Blá, blá, blá, o resto vocês já sabem.

Consideramos que o espetáculo do suposto “movimento anarquista no México” é uma questão abusivamente concentrada na estética, no narcisismo, na posse e na simulação e muito pouco dedicado a assumir uma guerra material contra todo o existente. Há muito barulho e nada mais. Sabemos que as formas de se compreender a realidade são totalmente distintas e que não existe autoridade moral para julgar umas das outras, no entanto, temos algumas coisas a dizer:

1. – A formalidade solene e o caráter messiânico de muitos discursos “ácratas” não podem causar mais do que risos, porque, aparentemente, possui um grande compromisso com a “causa”, mas pouca vontade em arriscar a comodidade cotidiana, o que resulta em ações medíocres onde apenas o ego é masturbado e se adquire o protagonismo sem dar um sequer golpe contundente no sistema.

2. – Para nós a violência pode e deve ser desmistificada e banalizada, posta ao alcance de qualquer individualidade, sem cair em profissionalismos ou heroísmos revolucionários. Não nos identificamos com a figura do guerrilheiro urbano, vingador anônimo, etc.

3. – Pouco nos interessa a utopia e a revolução, queremos a vingança. Não temos um programa nem uma ideologia, apenas temos nossas vísceras, nossos delírios, desejos egoístas, caprichos, nervos, etc.

4. – Não queremos contribuir para a mediocridade de pensar que uma simples sabotagem seja um golpe colossal contra a maquinaria que nos mata a cada dia. Sabemos que as perdas que provocamos são mínimas em comparação com a infinidade de vida que aniquila esta normalidade de merda a qual vivemos.

5. – Muito menos damos crédito às energias desperdiçadas em eventos, shows, festivais e outras coisas estúpidas do gênero que apenas reforçam o ego patético dos participantes e clareia a falha de seus organizadores. De antemão sabemos que muitos destes eventos são realizados de boa fé com o objetivo de reunir fundos para este ou aquele projeto, companheirxs presxs, etc. No entanto, o classificar de toda a energia nestas questões, simulando e fazendo alusão a uma guerra fictícia contra o sistema, deixando tudo em teoria, palavras, longos discursos, canções e festas é o que nos rompe a paciência. Nossa vingança não é “ser felizes”, nossa vingança é material e relativamente imediata, não há esperança em tempos melhores ou “mais propícios”.

6.- A massa não liga para nada.

7.- Queremos incentivar o bando a se armar e se divertir realizando seus próprios ataques em sua cotidianidade, em seu bairro, escola, ou onde seja. Nós zombamos dos formalismos e solenidades que só reforçam o ego falador, mas não causam nenhum dano. São inofensivos, apenas.

8.- Bem, para finalizar, apenas queríamos rir um pouco sem bater no peito ao estilo insurrecto, sem tanta moral e solenidade libertária. Fizemos uma piada carente de importância igual toda a suposta insurreição/guerra que os esquerdistas, vermelhos, anarcos e demais rebeldes dizem travar.

9.- Não há mais motivos que o agora, apenas “temos” o imediato.

10.- Para expandir o caos, sigam vandalizando seus/suas loucxs, mais ação e menos cu trancado.

Força delinquência!

P.D. JIJI-JOJO

Célula Chichi

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Já no Brasil o novo livro do Ted ‘Unabomber’ Kaczynski – Anti-Tech Revolution: Why and How

Por Rui C. Mayer*

Aos que chegam a entender a urgência prática de questões tais como as da devastação do mundo natural, da sujeição social e individual à tecnologia ou da degradação da liberdade e da dignidade humana, o nome de Ted Kaczynski, o Unabomber, provavelmente não lhes é desconhecido.

Há muitos sinceros defensores da natureza ou da liberdade que discordam de Ted Kaczynski. Sua insistência em relacionar natureza e liberdade causa desconfiança entre aqueles que se identificam com “o social” (mesmo se críticos da sociedade moderna). Sua insistência em que somente uma revolução antitecnológica – seja ou não violenta, o que apenas a ação organizada e a consequência histórica (e não devaneios e apelos, quaisquer) poderão determinar –, e somente ela, seria capaz de salvar a natureza e garantir a liberdade, é algo que causa aversão entre aqueles que ainda gostariam de resguardar alguns confortos, regalos e prazerezinhos com que a moderna sociedade tecnológica nos tem mimado.

A insistência de Ted Kaczynski levou-o a atacar grandes corporações do país mais rico e poderoso da Terra, que enfim reagiu, e caçou e prendeu – o Unabomber. Mas, por muitos anos, um só homem (ou… um pequeno grupo, talvez? quem sabe?) atacou essas corporações, e o Estado não pôde defendê-las. Só uma traição deteve Ted Kaczynski, e isso somente aconteceu após o seu objetivo original e principal ter sido atingido: a publicação acessível e a ampla divulgação da obra intitulada Industrial Society and Its Future

A prisão do Unabomber abona sua sinceridade. Mas isso não seria suficiente para fazer valer que algo dele fosse lido. Seus textos são rústicos, cruéis, quase agressivos. Sem os requintados recursos retóricos com que os intelectuais acadêmicos nos assediam, nem a grudenta pieguice despejada pela mídia de massas, a leitura dos textos de Ted Kaczynski costuma ser pouco ou nada divertida. O que, então, poderia nos interessar em sua obra? Justamente, a calculada crueldade de sua lógica: a obra de Ted Kaczynski nos obriga a pensar… ou a dispensá-la. E tal é o anti-estilo que podemos encontrar novamente, agora em Anti-Tech Revolution: Why and How, o mais recente livro de Ted Kaczynski.

Esse livro foi lançado nos EUA, na Europa e no Brasil entre agosto e setembro de 2016. O triplo lançamento do texto original (em inglês, portanto) visa a uma maior segurança da integridade do próprio texto, algo difícil de ser acompanhado por alguém nas limitantes condições de Ted Kaczynski – o qual precisa contar com apoiadores com que ele mantém contatos à distância e por escrito, e sob censura… –, e o mais amplo acesso possível a esse texto. E, como para outros textos de Ted Kaczynski, sua expectativa é de que essa obra seja antes disponibilizada e preferencialmente lida em recurso físico, em material impresso, palpável. E assim é como estamos procedendo, com as três publicações.

Anti-Tech Revolution: Why and How (em português, Revolução AntiTec: Por Que e Como), nas palavras do autor, “(…) não é um livro para ser apenas lido; é um livro a ser estudado, com o mesmo cuidado que se usaria em estudar, por exemplo, um livro didático de engenharia. Um livro didático de engenharia prevê regras precisas que, sendo mecanicamente seguidas, darão sempre os resultados esperados. Mas regras precisas e confiáveis não são possíveis em ciências sociais. As ideias deste livro, portanto, precisam ser aplicadas cuidadosamente e de maneira criativa, não mecânica ou rigidamente.” (Prefácio – texto completo em tradução pelas Edições Natura naturans²).

Esta notícia, pois, é também um convite – aos sinceros defensores da natureza e da liberdade – para que se conheça o desenvolvimento e a atualidade das ideias (e proposições…) do autor de The Unabomber Manifesto, que se poderá ler (talvez… estudar?) em alguma de suas três publicações:

USPT  BR

.

http://www.publit.com.br/livraria/produto/622/anti-tech-revolution-why-and-how
http://www.fnac.pt/Anti-Tech-Revolution-Why-and-How-Ted-Kaczynski/a988873
https://fitchmadison.com/product/anti-tech-revolution-2016/

¹ Obra que também é conhecida como The Unabomber Manifesto – e que tem uma tradução para o português autorizada pelo autor publicada com o título de A Sociedade Industrial e Seu Futuro (Editora Baraúna, 2014). Cf.: https://issuu.com/editorabarauna/docs/a_sociedade_industrial_15p/0

² As Edições Natura naturans são uma iniciativa de produção editorial dedicada especialmente à publicação e divulgação de textos de crítica à sociedade tecnoindustrial. Cf.: http://ednaturanaturans.blogspot.com.br

* Rui C. Mayer é tradutor para o português – desde sua versão em espanhol cotejada com o original em inglês – da mais conhecida obra de Ted Kaczynski: Industrial Society and Its Future / A Sociedade Industrial e Seu Futuro. Cf.: https://www.blogger.com/profile/00788063107092129842

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“Moralidade e Revolução”, por Ted ‘Unabomber’ Kaczynski

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Interessante texto escrito por Theodore Kaczynski sobre a questão moralidade. É uma boa leitura para se iniciar um debate em torno da moral. Foi replicado do Protopia.

________________

“A moralidade, a culpa e o medo da condenação agem como policiais em nossas cabeças, destruindo a nossa espontaneidade, nossa selvageria, a nossa capacidade de viver as nossas vidas ao máximo… . Eu tento agir sobre meus caprichos, meu espontâneo pede sem se importar com o que os outros pensam de mim …. Eu não quero nenhuma limitação na minha vida, eu quero a abertura de todas as possibilidades… Isto significa… destruir toda a moralidade ” – Feral Faun em “Os policiais em nossas cabeças: algumas reflexões sobre anarquia e moralidade”.

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Alemanha: Nove carros incendiados em Mulheim

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Às primeiras horas do dia 14 de Fevereiro de 2016 deitamos fogo ao cemitério-urbano de Mulheim An Der Ruhr, queimando nove carros – mediante a colocação de dispositivos incendiários artesanais nas suas rodas. Para nós todos os carros são igualmente máquinas tóxicas e repulsivas do sistema industrial-tecnológico e foi assim que acabaram por ser queimados indiscriminadamente – optamos por não definirmos os objectivos numa base limitativa, baseados numa definição abstracta de carros de “luxo”.

Este ataque é um ato de vingança por todxs xs compas não-humanxs esmagadxs nos caminhos do “progresso” humano, tal como por aquelxs cujos lugares e vidas são todos os dias destruídos em nome da produção de carros – produção essa destinada a um prazenteiro e ardiloso funcionamento da sociedade é à acumulação de poder nas mãos das corporações – destruindo os nossos lugares de vida, o meio natural.

Escolhemos para agir o dia anterior à data fixada inicialmente para o julgamento pela intenção de fuga da Conspiração de Células de Fogo (Núcleo de Membrxs Presxs) – para estarmos junto a elxs, até que todas as prisões sejam só cinzas e ruínas e todxs xs compas humanxs e não-humanxs sejam livres.

Enviamos também as nossas saudações, amor e raiva a Mónica Caballero e a Francisco Solar acusadxs de bombardeio de duas igrejas em Espanha e cujo julgamento está marcado para 8, 9, e 10 de Março.

Este é um gesto de cumplicidade na guerra de libertação total.

Avancemos com a rejeição violenta da civilização e seus valores.

Até que todos sejamos livres!

Wildfire Cell (Célula Fogo Selvagem) – FLA/FLT/FAI

Pego de ContraInfo

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Porto Alegre, Brasil: Reivindicação de ataques contra o sistema de dominação e em defesa da terra

Marcamos a virada do solstício de inverno deste 2016 com festas calorosas e fogueiras noturnas, com as labaredas de fogo hostilizando e destruindo ferramentas do sistema de dominação, úteis ao domínio e controle, úteis a devastação da terra, da água, do ar …

Na fria madrugada de 30 de maio, domingo para segunda-feira, visitamos as instalações da Net Sul*, no bairro Petrópolis, “área nobre” da cidade de Porto Alegre. Arrombamos a tela de proteção dos fundos do estabelecimento nos dando livre acesso as antenas de transmissão. Os seguranças que lá estavam nada virão até o início do incêndio.

A TV e os fluxos de informações de telas de computadores, celulares, tablets, substituiu para muitos/as a beira do fogo, a conversa olho no olho, o cheiro, as luzes das estrelas, mas para nós não.

Ferramentas importantíssimas para alcançar uma coesão do rebanho através do adestramento. Ditando valores, condutas, sonhos. Influenciando de maneira decisiva a vida individual e coletiva. Seus proprietários e animadores são fiéis escudeiros desta trama de dominação que nos envolve, que nos maltrata. Lucram, brindam, vivem do entorpecimento, da escravidão mental proporcionada por tais aparatos e seus espetáculos.

Sabemos que os danos causados pela força do fogo na Net Sul não foram o quanto necessitava, porém nesta fria madrugada o fogo do ódio a dominação e seu adestramento se ascendeu.

A sociedade tecnológica e industrial, hipnotizada, adoecida com uma fome eterna, que não se sacia com o equilíbrio, mas despenca vorazmente num progresso suicida avança a passos largos o sombrio caminho da extinção da liberdade, da extinção da vida. O Estado, o Capitalismo, a Civilização se apossa de tudo, quer todos os animais, toda terra, toda água, todo ar.

Que tipo de animal se manteria pacífico diante de tal realidade? Nós não. E você?

Apesar das imposições sociais, das escolas, quartéis, propagandas, igrejas, televisores, trabalho, a lógica da dominação não alcança domesticar a todos/as.

Valorizamos aqui a ação do indivíduo. Consideramos falsa a afirmação de que a ação do indivíduo não transforma seu entorno. Sabemos que sós, em duplas, em trio ou em grupos unidos/as pelo amor a liberdade, o ódio a dominação, ombro a ombro, sem líderes, podemos e transformamos a nós mesmos/as e nosso entorno. Tanto que transformamos ferramentas do domínio e controle, ferramentas da devastação da terra, em cinzas.

Numa trovoada, como um relâmpago, surgimos na chuvosa madrugada de 23 de junho, quinta-feira para sexta-feira, na beira do rio Guaíba em meio ao triste cemitério de árvores provocado pelas obras da orla do rio Guaíba.

E como já foi dito por ai: As cidades são um grande “cemitério de vidas, sonhos e ecossistemas”. Suas ampliações/modernizações são o fortalecimento de uma forma de “vida” hostil a natureza dotada de uma mentalidade e prática de apartheid entre nós seres humanos.

Não estamos nem exagerando. Afinal nem água é possível tomar em Porto Alegre. Em resumo, são tantos os atropelos, mas devastaram a pequena mata que resistia no local, os pássaros também choram nós vimos. E vimos uma coruja que no alto de um poste nos silvava em sinal de cumplicidade.

Por volta da meia noite invadimos as cercas da obra onde está o estacionamento de máquinas, driblamos os seguranças, e incendiamos duas máquinas uma na roda traseira, a outra de cabine aberta teve um destino pior. Comemoramos.

Os jornais nada falaram deste fato. Na sexta-feira tiraram a máquina mais danificada de campo repararam o pneu da outra e tudo segue “normal” com desenvolvimento sustentável no rumo da modernização, do progresso, da extinção. “Não fale de crise trabalhe”.

Sabemos que local e regionalmente assim como por todo o mundo há seres decididos a não servir ao sistema de dominação, suas leis, sua ordem, sua paz. Defendendo territórios, defendendo distintas formas de vida e de viver. Somos parte desta luta difusa.

No calor do fogo deste ataques enviamos nosso sinal de solidariedade a todos/as que estão em luta, a todos/as que são goleados pela repressão do sistema de dominação. Respondemos a isto com luta, com ataque aos promotores deste cenário, suas estruturas, símbolos, ferramentas.

Alegramo-nos com o fechamento do zoológico de Villa Dolores em Montevidéu e toda luta autônoma empreendida nesta batalha ganha. Salú!

Celebramos também com estes ataques o chamado do mês pela terra e contra o capital. Jamais esqueceremos e seguiremos nos vingando por Vitor Kaigang, por todos Guaranis Kaiowa pulverizados e alvejados no Mato Grosso, pela devastação de Belo Monte, do rio Tapajós, do rio Madeira e de todas as obras de “aceleração do crescimento”. Por Mariana. Pelos três assassinados no Paraná pelas balas do agronegócio policial e por toda a juventude assassinada pelo gatilho fácil policial.

E é claro pela onça selvagem que atacou o militar que a conduzia num exibicionismo para a passagem da tocha olímpica na floresta amazônica. Pelo urso polar assassinado por suas condições de cativeiro na Argentina. Pelo gorila assassinado nos EUA.

Como a natureza, reagimos. Afinal somos parte dela.

Saudações a todos em luta contra a dominação pelo mundo do Chile a Grécia, do México a Alemanha, da Espanha a Turquia, pela propagação do ataque.

Grupo de hostilidade contra a dominação

Inverno 2016

*Empresa atuante em TI (tecnologia da informação), prestando serviços ao estado, ao exército e diversas empresas privadas de geração de energia, à produção de coca cola. Atua também com transmissão de TV a cabo, internet, fibra ótica.

Pego de ContraInfo

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Grupo selvagem assume a responsabilidade pelo envio de balas de 9mm e de AK-47 ao juiz Jânio Roberto dos Santos

Pego de Tocaia Eco-extremista:

Recebemos este texto por email de um grupo oculto.

Adiante com a guerra extremista contra a civilização!

Adiante com balas contra aqueles que destroem todo o selvagem e usurpam povos nativos!
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Estamos em guerra e nos toca decidir de que lado da trincheira vamos pelear. Do lado do Estado, da civilização ocidental, dos colonizadores, dos dominadores e exploradores ou do lado da resistência, do lado dos rios, das montanhas, das pedras, das onças, das florestas e dos pássaros. Do lado de todos nós que somos terra… Com cada pisada… escolhemos nossa história.

A terra está com febre… está sendo devorada, engolida e estuprada pelos que acham que são donos de tudo. Os rios estão violentamente presos nas barragens, escorregando sangue e cheirando a morte. Os povos estão sendo exterminados…

Nas cidades as pessoas tem medo. Pedem proteção a quem os governam: que os protejam dos roubos. Preocupam-se por suas coisas… Será que não sabem que coisas que se possuem acabam possuindo-os?

Choram por ver vidraças quebradas, bancos expropriados, celulares e carros. Não há choro pelas aguas se secando, pelo mato sendo assassinado, nem pelos outros povos sendo massacrados…

A guerra colonial e civilizatória nunca acabou.

Faz mais de 5 séculos que o povo branco tenta monopolizar as decisões e disposições sobre estas e outras terras, sobre todas as terras, sobre todos os seres… Desde então se vive uma guerra, uma guerra entre os que assassinam a terra e os que a defendem.

Uma guerra que é desigual e escondida, mas que jamais foi abandonada. Os Munduruku sabem disso: “Nossos troféus eram as cabeças de nossos inimigos. Dificilmente perdíamos um guerreiro na batalha. Atacávamos de surpresa e em grande quantidade, assim vencíamos os nossos rivais. Hoje os dias são outros, há muito tempo que não precisamos fazer uma expedição de guerra, mas, se for necessário, o rastro do tempo aponta o caminho do futuro: somos a nação Munduruku, os cortadores de cabeça.”

Hoje o tempo aponta à necessidade de atacar e cortar cabeças novamente.

Roubaram-nos a terra, mas além disso, nos roubaram também a guerra, tentando nos pacificar em reservas indígenas, com direitos que não são mais que instruções para virar, como eles, civilizados. A guerra tem sido roubada de todos nós, de todos os povos, usurpada só pra os brancos, ladrões sábios em artimanhas legais e burocráticas, que continuam roubando legalmente o pouco que queda do território livre da civilização exterminadora.

A civilização é legitimada e perpetuada graças ao sistema jurídico do “estado de direito”. Os juízes tem poder para oferecer nossas vidas nas mãos dos nossos inimigos, entregando territórios ancestrais à fazendeiros destruidores da terra.

O juiz Jânio Roberto dos Santos mandou a despejar os Kaiowá de Caarapó com uma ordem judicial em junho deste ano. Uma assinatura carimba o destino de estes povos. Ele, como os outros juízes é responsável pelos massacres. Os juízes, procuradores e advogados assassinam os indígenas com papéis e caneta, assinando ordens judiciais, processos de reintegração de posse, e mandados de prisão. Ainda quando ninguém se importa, sentimos a dor dos Kaiowá que estão nas prisões de Dourados, sabemos que somos livres com os pés na terra e não dentro de uma gaiola.

Fica claro que a lei não está dando, nem dará nenhuma resposta. Para os Guarani Kaiowa faz tempo que isso estava claro também: “fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas.”

As leis dos brancos só servem para os brancos, para a sua civilização, e para sua fome de tudo.

Vendo o genocídio acontecer debaixo dos nossos narizes, estamos os que não podemos ficar sem fazer nada. Não acreditamos que seja possível reformar ou melhorar um mundo divido entre quem domina e quem é dominado.

Acreditamos que a única saída para acabar com a dominação é recuperar nossas práticas guerreiras e retaliar aos assassinos dos povos da terra.

Por isso, decidimos mandar uma mensagem ao legitimador, legislador, dominador, explorador e destruidor da terra, “Doutor” juiz Jânio Roberto dos Santos, enviando-lhe ao seu lugar de trabalho e à sua casa, duas balas de calibre 9mm e duas balas de AK 47, para lembrar-lhe que cada ação tem suas repercussões.

Nossa não indiferença frente ao genocídio dos kaiowá se manifesta através desta ação…

Para que a violência possa ser expropriada das mãos dos eternos dominadores….

Alguns amaldiçoados pela civilização

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[zine] Por Uma Anarquia Selvagem

Por Uma Anarquia Selvagem2

PDF

Zine produzido e editado por “Dingo”. Contato do autor: dingo55@riseup.net

Copyleft – Copie, plagie, modifique e distribua à vontade.

Capítulo final do zine

A situação em que nos encontramos atualmente só pode ser descrita como catastrófica. A civilização se expandiu por todo o mundo sob a forma de um capitalismo global que parece ser capaz de se adaptar a qualquer crise e reprimir ou cooptar qualquer forma de resistência. A grande maioria da população mundial se encontra em um estado profundo de domesticação, e está disposta a defender o sistema do qual são dependentes a qualquer custo. O nosso planeta está cada vez mais tóxico, e as pessoa e outros seres vivos cada vez mais miseráveis e doentes.

Como se isso não bastasse, a perspectiva de um colapso global é iminente. Os mares estão morrendo. A medida que a acidificação e aquecimento dos oceanos avançam, zonas mortas se Continue reading

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Nota do blog Kataklysma

Como algumas pessoas já perceberam o blog Kataklysma já a algum tempo não passa por atualizações e isso devido a indisponibilidade de seus gerenciadores.  Devido a essa dificuldade para estar adicionando conteúdo ao blog que também tem foco na contrainformação e a considera de suma importância para a luta anarquista/antiautoritária, decidimos por tempo indeterminado nos concentrar em materiais (textos, livros, documentários etc.) ao invés de notícias que nos exigem um valioso tempo que no momento infelizmente não estamos tendo para dar seguimento às traduções (que dão um baita trabalho!!). Com isso não queremos dizer que o blog passa unicamente a focar-se no compartilhamento destes materiais, pois eventualmente notícias ainda estarão sendo divulgadas, porém em menor quantidade. Divulgações ainda são aceitas e podem ser enviadas a nós através do nosso email:  insurreicaosocial[arroba]riseup.net

Cedo ou tarde regressamos às atividades contrainformativas.

A guerra segue!

Compas do blog Kataklysma.

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[Canadá] Livro “EXTRACTION! Comix Reportage”

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Compartilhado da A.N.A

O livro “EXTRACTION! Comix Reportage” uniu mídia ativistas, jornalistas e ilustradores para produzir um trabalho de quatro partes de histórias em quadrinhos jornalísticas sobre companhias de mineração no Canadá, Guatemala e Índia. Nós solicitamos a todas as organizações de justiça ligadas à questão da mineração, ambientalistas e outros indivíduos interessados a nos ajudar a espalhar a palavra sobre a campanha de pré-venda do livro, para que possamos ter recursos para sua impressão!

Recompensas pelo apoio ao projeto vão desde uma cópia digital do livro, uma cópia do “EXTRACTION!” enviada à sua porta antes de estar disponível nas lojas, até quadrinhos customizados sobre a questão da mineração de sua escolha, e até um pedaço de carvão enviado em seu nome para o Ministério do Meio Ambiente Canadense.

Cada dólar conta nesse projeto, então, por favor, nos ajude se puder!

Para mais informações, confira o kit de impressão do livro no site extractionpresskit.wordpress.com.

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Relato da Atividade sobre Conspiraçao de Células de Fogo + palavras da Biblioteca Kaos para a apresentação do livro “Nosso Dia Chegará” [PT/EN/ES] + Palavras em inglês dos companheirxs da CCF e de Spyros Mandylas para a atividade

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Resenha da Atividade sobre CCF na biblioteca Kaos dia 26 de maio.

Enfrentando os perpétuos problemas técnicos que xs compas que frequentam a biblioteca já conhecem bem, apresentamos o livro “Nosso dia Chegará” que traduzimos ao português e projetamos o filme feito pelxs compas da CCF “Projeto Fênix. O retorno da Conspiração de Células de Fogo”.

Iniciamos a atividade com a leitura das palavras escritas pelxs compas de “Sin Bandera, sin Banderas” núcleo de agitação de propaganda antiautoritária do Chile, do blog de contra-informação “Kataklysma”, de Spyros Mandylas e dxs proprixs compas da Conspiração das Células do Fogo. Sabemos que estas palavras chegaram e mexeram profundamente com nós, que escutá-las foi um importante momento de encontro. Era muito difícil não se sentir cativadxs pela força das mensagens lidas e a firmeza que transmitem. Depois dessa leitura assistimos o vídeo Projeto Fênix, as palavras e as vozes dxs compas no vídeo nos fizeram sentir a todxs mais proximxs delxs, ao mesmo tempo em que nos deleitávamos com os ataques certeiros contra a dominação.

Quebrar as grades, as fronteiras e a distância que nos separam era um dos nossos objetivos com a iniciativa de realizar esta atividade. Acreditamos que neste rompimento, reside também a solidariedade, ao final, transformando o distante em próximo, trazemos sementes para a ação insurrecional neste território, e sabemos que não há maior ato solidário que o ataque. Contudo, esta atividade foi mais um impulso para que sigamos afiando nossas facas para apontar contra o poder…

Provavelmente as cumplicidades e conspiras que cresçam desta atividade poderão se observar só com o tempo… e na escuridão das noites. Não pode existir indiferença diante dessas convicções. Porque, parafraseando a uma das pessoas no fim da atividade “Cada umx de nos pode ser uma célula de fogo…” a beleza estará em dar o passo entre a palavra e a ação.

Nosso salve, cumplicidade e afeto insurrecto para xs Compas da Conspiração das Células do Fogo e Spyros Mandylas!!!

Força e solidariedade com xs que lutam.

Nosso agradecimento a Sin Fronteras Ni banderas, Kataklysma e xs compas que ajudam na tradução e correção do texto.

Biblioteca Kaos

O livro estará disponível tanto na versão PDF quanto na versão em papel, a partir do mês de junho, é só pedir ele mediante contato conosco através do nosso e-mail: biblioteca-kaos@riseup.net.

Apresentação do livro “Nosso dia Chegara” para a edição em português. Biblioteca Kaos

Este livro, o segundo que editamos como Biblioteca Kaos, é o relato de uma greve de fome que se inscreve numa luta política e radical dentro das prisões. É um relato que mostra que sempre existe uma resposta combativa frente a opressão e à repressão por mais aguda que esta seja.

A tradução do libro “Nosso dia chegará” é também um salve para a Conspiração das Células do Fogo (CCF), que responde a várias motivações, nossa profunda afinidade com a Conspiração das Células do Fogo, da qual nasce nossa solidariedade que nos impulsiona a traduzir e difundir suas ideais e estratégias de luta, a presença de ações em solidariedade com xs companheirxs da CCF, mas também nosso projeto de expansão das ideias y práticas anárquicas. Traduzimos o texto editado por Sin Banderas Ni Fronteras “Nuestro Dia llegará”, e apresentamos todxs os comunicados que surgiram ao longo da greve, algumas atualizações do caso, e os comunicados das ações que aconteceram neste território, controlado pelo estado brasileiro, em solidariedade com a greve da Conspiração das Células do Fogo. Também incluímos no livro os comunicados que Aggeliki e Christos escreveram no começo do julgamento na sua contra, palavras dxs compas da CCF, de Spyros Mandylas, de Sin Fronteras Ni Banderas e as do site Kataklysma, todas elas especialmente enviadas para esta edição e para a atividade do dia 26 de maio.

É bastante difícil concentrar nestas palavras o acionar da CCF e a expansividade de sua proposta junto ao projeto da FAI-FRI e o projeto Fênix. Cada comunicado envolve só um momento da sua trajetória combativa. E se agora traduzimos e editamos um material que fala só de um momento desta trajetória, é porque esse momento nos dá uma sacudida importante.

Xs membrxs da CCF estão presxs, alguns faz mais anos que outrxs, por agirem em concordância com suas ideias acratas, atacando o que domina. Desde o 21 de janeiro de 2008, começaram a serem reivindicadas ações da CCF no território grego e durante dois anos, os ataques foram se intensificando, tanto em relação a um nível táctico-operativo quanto em relação a uma reflexão sobre os alvos a apontar. Em 2009 e 2011 algumas detenções fazem com que haja uma descida na intensidade da confrontação. Dentro da prisão, eles assumem uma postura clara de rechaço ao circo judicial que se arma ao seu redor. O único caminho é a luta, dentro e fora das grades.

Emerge então, o projeto Fênix, como uma mostra de que das cinzas podia surgir de novo o fogo do combate. Tudo isto é claramente a demonstração de que nas condições adversas, ainda é possível lutar. Xs companheirxs mostram cotidianamente que suas convicções são e serão sempre mais fortes que as condenas que o Estado se esforça em colocar nas suas costas. Já na cadeia, sem nunca deixar de solidarizar e de agitar e fazer protestos, tentam fugar repetidamente. Na tentativa de fuga do ano 2015, descoberta antes de ser realizada, a vingança do sistema judicial e policial atinge os seus familiares e seres afetivamente próximos. Os esforços do Estado para reduzir xs companheirxs se intensificam: Mãe, irmão, noiva, companheirx são detidxs sob a acusação de serem cúmplices e membros da CCF. Outra vez, xs companheirxs não caem nas armadilhas do poder, e respondem à repressão com combate: realizando a greve de fome até a morte, da qual fala este livro. Para quem acreditasse que estar presx, com o corpo encerrado, e sendo torturado emocionalmente, podia paralisar a luta, não foi o caso. Xs companheirxs nunca deixaram de lutar e se a morte tinha que ser a estratégia, com dignidade a abraçariam.

A repressão enfrentada de cabeça erguida pelxs companheirxs foi marcada pela fortaleza dos seus laços de companheirismo e por uma inquebrantável firmeza e afinidade política. A decisão de levar a cabo uma greve de fome até a morte desafia toda tentativa de extermino da dissidência. Dentro dessa experiência, tanto a autocritica quanto o processo de greve de fome dxs companheirxs da CCF nos lembra que parte da essência da luta insurrecional anarquista reside também na beleza das relações que somos capazes de criar com quem decidimos caminhar, com quem caímos, e com quem, de novo, nos levantamos. Nossas relações tornam-se insurretas na medida na qual estivermos dispostxs a agudizar o conflito contra o existente… a afinidade se potencializa através da ação e dos obstáculos que temos por enfrentar juntxs. A firmeza dxs indomáveis companheirxs e sua capacidade a permanecer em pé de guerra diante de cada golpe recebido é, para nós, mais uma aprendizagem, uma inspiração que vemos necessário fazer chegar a cada coração insurreto.

Temos aprendido bastante das reflexões e experiências dxs companheirxs da CCF, por isso nos parece importante hoje, traduzir suas palavras insurretas. Acreditamos que a tradução não se faz somente num aspecto “literal”, mas também, na capacidade de tornar entendível e “possível” experiências de luta armada anarquista neste território. Porque além de experiências vividas, estas linhas são um pedaço de uma trajetória anárquica, de uma coordenação internacional da qual nos sentimos parte. Se decidimos traduzir este livro é porque encaramos o diálogo com CCF e outros grupos de ação desde estas terras, como um desafio individual e coletivo. Neste sentido, as experiências de luta, os erros, as cagadas, as autocriticas assim como as ideias e projetualidades são pontos de encontros e fontes de reflexão para a intensificação do conflito anárquico.

Um conflito que se expande e vaza fronteiras, como nos mostrou a chamada internacional do dezembro negro, que para nós esteve em profunda relação com a greve de dos companheiros da CCF. Se bem a greve acontece nos inícios do 2015 e a chamada é para o dezembro desse mesmo ano, xs companheirxs envolvidxs na greve e em solidariedade com elxs, ainda estavam (e estão) para afrontar o julgamento por a tentativa de fuga na qual iam a ser julgadas também suas pessoas queridas. Então a chamada do dezembro negro aliás foi feita para memoria combativa pelos mortxs e presxs, tocou profundamente a solidariedade com xs compas da CCF.

Esta chamada foi respondida desde diversos pontos do mondo e desde diversas formas de combatividade anarquista. Fogo, sabotagem, livros, pixos, faixas, cartazes, e mais foram as formas mediante as quais varixs anonimxs mostraram a potência da coordenação anárquica diante dum chamado internacional. Por isso que apresentamos os comunicados das ações que aconteceram nestas terras em resposta a esta chamado. Porque ver a solidariedade insurreta saindo deste território e chegando até a prisão de Koridallos foi mais um incentivo para seguir difundindo a proposta e a práxis insurrecional anarquista.

Esta iniciativa aponta à afiação da reflexão e da ação. Acompanha a firmeza dxs companheirxs de CCF, seu projeto insurrecional, seus ataques realizados, seus alvos, pois, seu caminho rumo à Anarquia Negra. Trazer parte desta trajetória até aqui é convidar axs insurretxs e inconformadxs a dialogar através da ação com experiências vividas em outras latitudes. É um convite à coordenação informal e internacional, coordenação necessária para a potencialização do confronto insurrecional.

Que este livro seja mais uma fagulha para que sigamos iluminando a escuridão…

Biblioteca Kaos

Em inglês:

Review of the event about CCF in “Biblioteca Kaos” on may 26th

Dealing with the perpetual technical problems that the comrades who attend the library already know, we present the book “Our day will Come” that we traduced to portuguese and we watched the movie made by CCF comrades “Phoenix Project. The return of Cells of Fire Conspiracy”.

We began the event with the reading of the words written by the comrades of “Sin Bandera, ni Frontera”, core of agitation and anti-authoritarian propaganda from Chile, of Kataklysma contra information blog, of Spyros Mandylos and of the CCF comrades. We know that these words arrived to us and teased us deeply; that listen to them was an important moment of the event. It would have been difficult not to feel us captivated by the strenght of the messages read and the firmness that they transmit. After the reading, we watched the video of the Phoenix Project, the words and voices of the comrades in the video made all of us feel closer of the comrades, and, at the same time in which we delighted with the accurate attacks against domination.

Breaking grades, frontiers and distance that separates us was one of our aim with the initiative of realizing this event. We believe that in this breaking, resides the solidarity, at the end, transforming distant in near, we bring seeds for the insurrect action in this territory, and we know that it doesn’t exist better solidarity act that the attack. Nevertheless, this event was one more impulse so that we have to keep sharpen ours knives pointing against Power… probably the complicities and conspiracies which are growing from this event could be observed only with time going on… and in the darkness of the nights. It can’t exist indifference in front of these convictions. Because, paraphrasing one of the person at the end of the event “ everyone of us can be a cell of fire…” The beauty will be giving the step between words and action.

Our salute, complicity and insurrect affection for the Cell of fire Conspiracy comrades and Spyros Mandylas!!!

Strength and solidarity with those who are struggling

Thanks for Sin Banderas ni Fronteras, Kataklysma, for all the comrades with helped in the translation and correction of the text.

Biblioteca Kaos

the book will be available in pdf version and print version in June in our contact by mail: biblioteca-kaos@riseup.net.

Presentation of the book “Our day will come” from Biblioteca Kaos

This book, the second edited as Biblioteca Kaos, is the narration of an hunger strike which is inserted in a political and radical struggle into the prisons. This is a narration which shows that, as sharp as would be repression and oppression, it always exists a combative answer.

The translation of the book “Our day will come” is also an embrace for Conspiracy Cells of Fire (FCC), which answers to different motivations: our deep affinity with Conspiracy Cells of Fire, from where rises our solidarity which impulses us to translate and spread their ideas and struggle strategies, the presence of solidarity actions with FCC comrades, but, also our expansion of anarchic ideas and practice project. We translated the text edited by Sin Banderas Ni Fronteras “Our day will Come”, and we presented all the communicates which emerged belong the hunger strike, some actualizations of the case and the communicates of the actions that took place in this territory controlled by Brazilian state in solidarity with the hunger strike of FCC. We also included in the book, Aggeliki and Christos ‘s communicates that they wrote in the begin of the trial, FCC, Spyros Mandylas, Sin Banderas ni Fronteras and Kataklysma blog ‘s words, all of them especially sent for this edition and for the event of may, 26th.

It’s difficult enough to concentrate in FCC words or way of action all the expansiveness of their proposal with FAI-IRF and Phoenix project. Each communicate involves just one moment of their combative trajectory. And right now, if we translated and edited a book that speaks of a specific moment of this combative trajectory, it’s because this moment gave us an important shake.

FCC members are imprisoned, some for more years than others, for acting agreeing with their anarchic ideas, attacking what’s dominates. Since may, 21th of 2008, FCC actions are being claimed in Greek territory and, during two years, the attacks were intensifying, as a tactic- operative level, as in a reflection of the aims to target. In 2009 and 2011, some arrests have produced a descent in the intensity of the confrontation. In the prisons, they assumed a clear position of repulsion for the judicial circus that was going on. The unique way is the struggle, inside and outside grades.

So, it emerges the Phoenix Project as a demonstration that the fire of the fight can emerge from ashes. All of this is clearly a demonstration that in adversed conditions, it’s steel possible to struggle. The comrades are showing every day that their convictions are and will be always stronger that the sentences the state insists to set on their shoulders. Yet, in the prisons, without ever stop to render solidarity, agitate and make protests, they try to escape repeatedly. In the escape tentative in the year of 2015, discovered before it would be accomplished, the vengeance of the judicial and political system reaches their relatives and emotionally fellows. The efforts of the state to reduce the comrades are intensifying: mother, brother, wife, comrades are arrested with the accusation of being complicit and FCC members. Once again, the comrades don’t fall into the roper of the power, and answer to repression with fight: they make an hunger strike to death, hunger that this book is talking about. To whom believed that being imprisoned, with the body jammed and emotionally tortured, could paralyze the struggle, it was not the case. The comrades never stopped to struggle and even if death would be a strategy, they would embrace it with dignity.

The repression faced with raised head by the comrades was marked by the strength of their companionship ties and by an unbreakable firmness and politic affinity. The decision that made them realize an hunger strike to death challenges any tentative of dissidence extermination. Inside this experience, the auto-critic as the hunger strike process from FCC comrades reminds us that part of the essence of insurgent struggle lives in the beauty of the relationships that we are able to create with the people we decide to walk, with who we fall, and with who we stand up again. Our relationships become insurgent as we are eager to sharpen the conflict against the existent… The affinity reinforces itself by the action and the obstacles that we have to confront together.

The firmness of unbreakable comrades and their capacity to stay on the warpath in front of every received blow, is for us, one more learning, an inspiration that we see necessary to spread into every insurgent heart.

We have learned a lot from FCC comrades reflections and experiences, that’s why it was important to us to translate their insurrect words. We believe that the translation is not made only in the “literal” aspect, but also, in the capacity of these experiences of anarchist armed struggle becoming understandable and “possible” in this territory. Because, belong lived experiences, these lines are a bit of a anarchic trajectory, of a international coordination that we feel part of. If we have decided to translate this book, it is because we look straight at the dialogue with FCC and others action groups from these lands, as an individual and collective challenge. In this way, the struggle experiences, the mistakes, the shit, the auto-critics as the ideas and projectualities are meeting points and reflections sources for the intensification of the anarchic conflict.

A conflict that spread itself and pours out frontiers, as the international call of Black Dezember showed us, that for us was in deeply relation with the FCC comrades strike.

If the strike goes on in the beginning of 2015 and the call was for December of this same year, the involved comrades in strike and in solidarity with them, were still (and still are) to confront the trial for escape tentative in which their relatives also were to be judged. The call of Black December as was made to raise the combative memory of our dead and imprisoned comrades, touched deeply the solidarity with FCC comrades.

This call was answered from different part of the world and from different form of anarchist combativeness. Fire, sabotage, book, tags, bands, poster and more, were the forms of lots of anonymous have shown the potency of anarchic coordination in font of an international call. That’s why we present the communicates of the actions that happened in these lands in response to this call. Because seeing the insurgent solidarity going out this territory and reaching Koridallos prison was one more incentive to keep spreading the insurrectional anarchist praxis and proposal.

This initiative points at the sharpening of reflection and action. It follows up the firmness of FCC comrades, the insurrectional project, the accomplished attacks, its aims, well, their way bearing Black Anarchy. Bringing part of this trajectory to these lands is a way to invite the informal and international coordination, coordination that we think necessary for the potencialization of insurrect confrontation.

So that this book can be one more spark to keep illuminating the darkness…

Biblioteca Kaos

Words from contra-information and Radical Ecology “Kataklysma” for the event of may, 26th about FCC

Hey gang of Biblioteca Kaos!

Hidden here somewhere, in a periphery forest in Latin America, I am sending my fervent greetings for all the comrades congregated in this subversive meeting. I lament to not be, flesh and blood, present in the library, thing that I want to do soon, and, it is because of this absence that I’m sending my accomplice words to all of you, to make me present here in the gang.

More than ever it is our hour. The New Anarchy burns in the heart of the true insurgent, that are walking without return to insurgent tension that confronts without breath ALL the existent. It’s also more than ever, time of Chaotic people who don’t pardon social peace, break the status quo of this rotten robotic and servant society and take it to ruins by the continue action without precedent. New Anarchy’s flame are burning from Greece to Chile, from Chile to Mexico, from Mexico to Italy and all over the planet they spread, causing terror in the slaves that are surviving in the cities and to their masters. Instead of frontiers, barricade and conflicts front are existing. They receive fugitive of this world, all ready for the fight to all-or-nothing in which prison and death can be a way that we would have to go through. But, they are not few people who doesn’t fear the insurgent and salvage conflict, and this makes me happy.

A great example of chaotic fugitives are guerrilla comrades of FCC who, even with uncountable sentences on their shoulders don’t make a step behind and goes forward, conspire day and night to burn Greek prisons, to break their gratings and to pull into savagery and uncertainty of social war again, where, the only certainty is the irremediable praxis.

The translation/subtitles of Kataklysma blog is a complicity and solidarity act with imprisoned greek comrades and to their convictions, including with the fact that they don’t repent themselves for their actions. As there or here, together, we conspire for the elevation of insurgent chaotic tension. Not just in Greece, but in Chile, Spain, Italy, Mexico, Russia, Indonesia, USA, Peru, England, France, Germany, Turkey, all around the earth and above all, Brazil, here we are and will always be! Whenever exists injustice it will exit rebellion, and this is the grain that we plant today, here and now!

So that the New Anarchy grain germinates in this fertile ground that we inhabit and can grow wildly as the harmful herbs succumbing the cities! In the front we are and in the front we ‘ll meet.

Rage, conscience and anarchy, today, now and always
É nóis rapa!

Words of FCC members and Spyros Mandylas:

CCF – Urban Guerrilla Core “ Our day will come”

Contribution from jail for the manifestation in Brazil, in library KAOS for the book presentation “Our day will come”.

“Even if you cut all the flowers, you cannot deterrence spring”

Captivity of an anarchist in jail is first of all a personal confrontation. It’s a confrontation against fear, contradictions, losses and defeat…

It’s a confrontation with the sound that resonates in every corner of the cell and tries to convince you that we lost… that everything is gone. The locks, the railings, the cameras, the wires, the uniforms, they want to remind you the states triumph.

But nothing ends…

We may have bled …but we never gave up…

And our day will come…

In the summer of 2013 the international plan “Phoenix Project” is on the move in order to reborn the urban guerilla warfare from its ashes.

The “Phoenix” was travelling across Mexico, Chile, England, Germany, Italy, Czech, Russia, Indonesia, and Greece… blasting and torching vehicles of prison directors, interrogators’ houses, banks, wealth symbols etc

The beginning was made/ And so it strarted…

The next two years the project is being organized…

Now in prison we do not count days for the ending of our punishment, we only count our hate in order to retaliate to the attack which deprived our freedom… Thoughts, conversations, plans… the decision has been made before we even realize it… escape is our release paper. In the kingdom of democracy, freedom is illegal and we will obtain it with illegal means.

One tall concrete wall separates us, a few railings, wires and the guards in watchtowers.

Concrete cannot beat freedom.

The plan is ready… the tests have been done… one van loaded with 200 kilos of explosives will be parked next to the wall…and freedom will rise from the ruins of the jail…

And then…

It’s the moment, when luck does not choose to stand by those who dare but it favors the cowards in the uniforms…

Arrests, police raids in our safe houses, disclosures of guns, rockets, explosives, vehicles, arrest warrants for those who would assist to the escape plan, investigations in our cells and transportations in the empty underground high-security wing.

The first thing you hear in the underground high-security wing is the sound of silence… total silence that whispers to you about the defeat that you must accept…

The state counterattacks…

Cops, judges, journalists, take their revenge for the escape plan we didn’t complete…

Television since the morning until late at night vomits bile and organizes panic… “terrorist from CCF were organizing a massacre”, “They were planning to kill people”, “CCF was organizing a massive terror escape” “CCF has relations with the mafia” ,” Terror in jail”.

Crows of authority thirst for more blood. They set up coordinated raids and they arrest comrade Angeliki Spiropoulou, who was fugitive because of the escape plan.

Even though the concert of revenge does not stop there…

They set up a filthy emotional racketeering and the anti-terrorist agency captures and interrogators imprison our relatives, charging them us members of CCF.

They say that the character of a person does not show from the way they enjoy their victories but from the way they manage to overcome their defeats.

So we begin a hunger strike until death, demanding the release of our relatives. A struggle with a bitter taste in our bodies, watching our relatives behind bars… We will win half a victory, since the mother of comrades Hristos and Gerasimos Tsakalos was released but another hunger strike will be needed from Gerasimos Tsakalos and his partner Evi Statiri for Evi’s release.

One more attempt followed in cooperation with the comrades from “Revolutionary Struggle” in order to escape by helicopter; we wanted to flee organizing the day that we would not be there for the prison counting.

However an engagement inside the helicopter will cancel the freedom flight…

Too many thoughts, grief and even more tantrum…But a sullen face is the face of defeat…and we do not intend to lose…

They may have buried us in the deep underground cells of their jails, but they forget that some seeds grow even in the most sunless places…

We know for sure that freedom is not won on prayers not even with entreaties but with the loud noise that breaks the curse of captivity.

So today after 5,5 years of imprisonment we know that the reality we want is totally different from the reality we live in…

But the distance between desire and reality is only.. boldness…

“One day in prison, two days in prison, three days in prison… Today the day is passing so slowly…What is going on outside? Are they thinking of me? Four hundred seventy three days in prison. Four hundred seventy… I lost count…Fuck it…it is for the best. In prison counting is not good. .

I cannot sleep. Yesterday I completed three prison diaries…glang glang…the door key…they came in the middle of the night to search.

One thousand five hundred fifty two days in prison… Satisfied “lovely” judges? If I get out you’ll see…

Today I vomited my soul. I vomited bars, walls, disappointment, betrayals… I do not want to count any more.

I am thinking of all the stuff they locked out from me…all of the stuff they stole from me…all of the things they are trying to make me forget… a smile, a look that doesn’t stumble at bars, a night that does not end with the lock…I stop thinking…Open my hand…I stare at the rasp that I am holding…Now I know…Let’s go once again…Our day will come…”

Conspiracy of Cells of Fire – FAI/IRF.
Urban Guerilla Core

Christos Tsakalos
Gerasimos Tsakalos
Giorgos Polydoros
Olga Okonomidou

Translated in English by some comrades from Papamihelaki Squat (Rethymno)

Words of Conspiracy of Cells of Fire

Your event, creates cracks in the concrete universe surrounding us, as it tries to lighten things and situations concerning a reality we have experienced and we re still experiencing.

The video for the Phoenix plan you re going to show, was a video made for an event in Athens where we were going to intervene telephonically to describe the new charges that led us to one more trial. It was about the charges of inciting some attacks that were carried out in the context of the Phoenix project, which starts with the blowing of the Korydallos prison director’s personal car by the Conspiracy of Cells of Fire, Core Sole/Boleno.

At that time, all imprisoned members of CCF in their letter had hailed this action, and on that letter they based the new indictment. In the video one can hear the voices of the imprisoned members.

The book “Our day will come” is an editorial attempt of comrades from Chile who tried to record the story of an attempted escape of the CCF members and all that followed. Arrests of CCF members’ relatives and the hunger strike they had for the release of those relatives.

In both cases there is a (common) central axis: the desire of some imprisoned anarchists not to accept the conditions of their captivity.Through these stories one can see that either one way or the other, the unquenchable thirst for action and for freedom can not be stifled.

We hope this message will warm your hearts and make you feel closer to us despite the countless kilometers separating us.

We send our warmest greetings to the comrades who took the initiative to contact us and who prepared this event, as well as all the comrades attending it.

A flaming hug from the prison cells of the greek republic.

Τhe members of the Conspiracy of Cells of Fire:

Panagiotis Argyrou
Michalis Nikolopoulos
Giorgos Nikolopoulos
Haris Hatzimichelakis
Theofilos Mavropoulos
Damianos Bolano

A contribution to the event of “Biblioteca Kaos”, that takes place in Porto Alegre, Brazil from the anarchist-nihilist, Spyros Mandylas

Salute comrades,

I would prefer my interference to be face-to-face, being among us. But my restriction orders don’t allow me to move across the borders of Thessaloniki city. The restriction orders is a tactic that is used frequently by the Greek state and it attempts to keep anarchists in political hostageship.

I would like to salute this event by highlighting the importance of events such this, in which there is the participation of people who either they have accomplished armed actions or they have been targeted from the repressive mechanisms of the state with the excuse of the anarchist urban guerilla. Also, it’s important the fact that this event has international characteristics, which proves that solidarity can’t be restricted by the borders.

I would like to mention 2 subjects. The first one is the connection between the “public” and the “illegal” parts of anarchy and the second one is my personal opinion about the way the nihilist tendency -the “third pole” as it’s used to be referred to the last years- should be organized.

So let’s begin with the first issue. I believe that in the case of Nadir squat, the state showed its willing with the best possible way. So if someone has been involved, even in the surface, in the case of Nadir, he/she would know that the state forced against us 4 repressive attacks and a barrage of invasions in houses. In most of them in the front line of the attacks was the anti-terrorist service of police. Obviously there is a certain procedure of thinking behind this act of the state. It wants to set a barrier to the expansion of nihilist speech and New Anarchy. As I said in my “defense speech” in the trial for the phoenix project “The state considers the connection between the “public” and the “illegal” as an explosive mixture”. It’s widely known that many urban anarchist guerrillas in Greece and abroad (e.g. the comrade Mauricio Morales was a member of Sacco and Vanzetti squat) have grown up politically in squats and self-organized spaces. A practice like this, with offensive characteristics ca be used as a tool in the hands of the movement. However, the wrong usage of these practices can cause the opposite results. The fact that spaces with these characteristics are on the target of hard repression from the state, proves the capability of them to threaten the power seriously.

Let’s talk now about the second issue, which is, as I said, the actions that should be taken in order the so called “Third Pole” to be organized. I believe that its characteristics must be specific. The nihilist tendency isn’t, in any way, the patrol of the official anarchy or a part of the so called “wild youth”. It includes the negation in every point and every move of its. It moves forward offensive an not acting in defense. However, nihilism means acts overall, so I believe that there is no point to extend my opinion more about this subject. I will only say that the state is being organized very seriously against the Black Anarchy (with hundreds of cops staffing the anti-terrorist police service, with powerful machines that intercept cellphones and internet data, with DNA data bases that are being created and enriched constantly). So the serious organization among us is the only way left.

I believe that a conversation about these issues has to be started. Finally I would like to salute the comrades that have organised and those who came to attend this event. I believe that practices such as “Biblioteca Kaos” will offer much to the permanent anarchist revolution.

Stay strong,

19th May 2016

Spyros Mandylas

Member of anarchist squat, Nadir

Defendant for the Phoenix Project

Em espanhol:

Reseña de la actividad por CCF realizada en la Biblioteca Kaos, Porto Alegre

Enfrentando los perpetuos problemas técnicos que lxs compas que frecuentan la Biblioteca Kaos ya conocen, presentamos el libro Nuestro Dia LLegara, que tradujimos al portugués y proyectamos el video hecho por los compas de la CCF “Proyecto Fénix. El Retorno de la Conspiración de las Células de Fuego”.

Iniciamos la actividad con la lectura de las palabras escritas por lxs compas de “Sin Fronteras NI Banderas”  núcleo de agitación de propaganda antiautoritaria de Chile, las palabras del blog de contrainformación Kataklysma, las de Spyros Mandylas elas palabras de lxs propios compas de las Conspiración de las Células de Fuego. Sabemos que estas palabras nos llegaron y sacudieron profundamente, que escucharlas fue un momento importante de encuentro. Era muy difícil no sentirse cautivadx por la fuerza de los mensajes leídos y la firmeza que transmiten. Después de esa lectura, vimos el video “Proyecto Fénix”, las palabras y las voces de lxs compas en el video nos hicieron sentir a todxs más cercanos, al mismo tiempo en que nos deleitábamos con los ataques certeros contra la dominación.

Quebrar las rejas, las fronteras y las distancias que nos separan era uno de nuestros objetivos con la iniciativa de realizar esta actividad. Creemos que en esta ruptura también reside la solidaridad, al final, transformando lo distante en próximo, traemos semillas para la acción insurreccional en este territorio, e sabemos que no hay mayor acto solidario que el ataque. Con todo, esta actividad fue un impulso más para que sigamos afilando las dagas con las que ataquemos el poder.

Probablemente las complicidades y conspiraciones que crezcan de esta actividad podrán observarse solo con el tiempo.. y en la oscuridad de las noches. No puede existir indiferencia frente frente a estas convicciones. Porque, parafraseando a una de las personas que hablo al final de la actividad, “cada uno de nosotrxs puede ser una célula de fuego…” la belleza estará en dar el paso entre la palabra y la acción.

Nuestro saludo, complicidad y afecto insurrecto para lxs compas de la Conspiración de las Células de Fuego y Spyros Mandylas!!!

Fuerza y solidaridad con lxs que luchan.

Nuestro Agradecimiento a Sin Fronteras Ni Banderas, Kataklysma e a lxs compas que ayudan en la traducción y corrección del texto.

Biblioteca Kaos

El libro estará disponible tanto en versión PDF como en versión impresa a partir del mes de junio. Solo hace falta pedirlo mediante el contacto con nosotrxs a través del email biblioteca-kaos@riseup.net.

Presentación del libro Nuestro día llegará en portugués, realizada por la Biblioteca Kaos,

Traducido por Irakunditxs

“Este libro, el segundo que editamos como Biblioteca Kaos, es el relato de una huelga de hambre que se sitúa en una lucha política y radical dentro de la cárcel. Es un relato que muestra que siempre existe una respuesta combativa frente a la opresión y la represión, por más agudas que estas sean.

La traducción de libro Nuestro Día Llegará es un abrazo a esta determinación de ir hasta el fin y responde a varias motivaciones, la profunda afinidad de la cual nace la solidaridad que nos impulsa a traducir y difundir sus ideas y estrategias, las acciones presentes en solidaridad con CCF, así como nuestro proyecto de expansión de las ideas y prácticas anárquicas. Traducimos el texto editado por Sin Banderas Ni Fronteras Nuestro día llegará y presentamos todos los comunicados que surgieron a lo largo de la huelga, también algunas actualizaciones del caso y los comunicados de las acciones que se llevaron a cabo en este territorio, controlado por el estado brasilero, en solidaridad con la huelga de la Conspiración de las Células de Fuego. Incluimos en el libro el comunicado que Aggeliki y Christos Tsakalos escribieron en el comienzo de su detención. Incluimos también, textos enviados por los compañerxs de CCF, especialmente para el evento y el libro, así como palabras del compa Spyros Mandylas y del Blog Kataklysma.
——————————
Resulta bastante complicado concentrar en estas palabras el accionar y la expansividad de la propuesta de CCF, junto al proyecto de la FAI-FRI y el Proyecto Fénix. Cada uno de sus comunicados envuelve un momento específico de su trayectoria combativa., e si ahora traducimos y editamos un material que habla de uno solo de esos momentos, es porque ese momento nos da una sacudida importante.

Lxs miembrxs de CCF están detendixs, algunxs más años que lxs otrxs, por actuar en concordancia con sus idea ácratas, atacando lo que domina. Desde el 21 de enero de 2008 comenzaron a aparecer acciones reivindicadas por la CCF en el territorio griego, e durante dos años los ataques fueron intensificándose, tanto en un nivel táctico-operativo, como en el nivel reflexivo sobre los blancos a los cuales atacar. Algunas detenciones entre 2009 y 2011, provocan un descenso en la intensidad de la confrontación. Pero dentro de la prisión, lxs detenidxs, asumen una postura clara de rechazo a los rituales jurídicos. El único camino es la lucha, dentro y fuera de las rejas, desde adentro y hacia afuera de las prisiones…

Surge entonces el proyecto Fénix como una muestra de que de las cenizas podía surgir, de nuevo, el fuego del combate. Todo esto es una clara demostración de que aun en las situaciones más adversas, es posible luchar. Lxs compañerxs muestras cotidianamente que sus convicciones son y siempre serán más fuertes que las condenas que el Estado se esfuerza en colocar sobre ellxs. Sin nunca dejar de solidarizar, y agitar, desde la prisión, intentan fugarse repetidamente. En el intento de fuga del año 2015, descubierta antes de llevarse a cabo, la venganza del sistema judicial y policial alcanza a sus familiares y seres afectivamente cercanxs. Los esfuerzos del Estado por reducir a lxs compañerxs se intensifican: madre, hermano e pareja de lxs compañerxs son detenidxs bajo la acusación de ser cómplices y miembros de la CCF. Otra vezl xs compañerxs no caen en las trampas del poder y responden a la represión con lucha, realizando la huelga de hambre hasta la muerte de la cual habla este libro. Para quien creyera que estar presx, con el cuerpo encerrado y siendo torturado emocionalmente, podìa ser un freno en la lucha, este no fue el caso. Lxs compañerxs nunca dejaron de luchar, y si la muerte iba a ser la estrategia con dignidad la abrazarían.

La represión, enfrentada dignamente por lxs compañerxs, fue marcada por la fortaleza de sus lazos de compañerismo y por una firmeza política inquebrantable. La decisión de llevar a cabo una huelga de hambre hasta la muerte es el reflejo de un compromiso de lucha que desafía a todos los intentos de exterminio de la disidencia. En este sentido, tanto la autocrítica como el proceso de la huelga de hambre de CCF nos recuerda que parte de la esencia de la lucha insurreccional anarquista reside también en la belleza de las relaciones que somos capaces de crear, con quienes decidimos caminar, con quienes caemos y con quienes, de nuevo, nos levantamos. Nuestras relaciones se vuelven insurrectas en medida de nuestra disposición a agudixar el conflicto contra lo existente… la afinidad se potencializa a través de la acción y de los obstáculos que tenemos que enfrentar juntxs. La firmeza de lxs indomables compañerxs y su capacidad de permanecer en pie de guerra frente a cada golpe recibido es para nosotrxs un aprendizaje más, una inspiración que creemos necesita llegar a cada corazón insurrecto.

Hemos aprendido bastante de las reflexiones y experiencias de lxs compañerxs de CCF, por eso nos parece importante hoy, traducir sus palabras insurrectas. Creemos que la traducción no se hace solamente en un aspecto “literal” sino también en la capacidad de hacer entendibles y posibles experiencias anarquistas de lucha armada en este territorio. Porque más allá de las experiencias vividas, estas líneas son un pedazo de una trayectoria anárquica, de la historia de una coordinación internacional de la cual nos sentimos parte. Si decidimos traducir este libro es porque encaramos el dialogo con la CCF y con otros grupos de acción como un desafío desde estas tierras. En este sentido, las experiencias de lucha, los errores, las cagadas, las autocriticas así como las ideas y proyectualidades son puntos de encuentro y fuentes de reflexión para la intensificación del conflicto anárquico.

Estos intereses que se localizan en las especificidades de estas tierras, muestran una lucha que rebasa fronteras y situaciones, por eso también nos parece importante aquí, llamar la atención sobre el diciembre negro y su relación con la huelga de hambre de los compas de CCF. Si bien la huelga sucede en inicios de 2015y la llamada para el diciembre negro es a finales de ese mismo año, lxs compañerxs involucrados en la huelga y en solidaridad con ellxs aún estaba (y están) afrontando juicios por el intento de fuga. Entonces, la llamada por el diciembre negro aunque fue realizada para la memoria combativa por lxs muertxs y lxs presxs, tocó profundamente en la solidaridad hacia lxs compas de la CCF.

Esta llamada fue respondida desde diversos puntos del mundo y desde diversas formas de combatividad anarquista. Fuego, sabotaje, libros, rayados, lienzos, afiches y más, fueron las formas mediante las cuales varixs anónimxs mostraron la fuerza de la coordinación anarquista ante un llamado internacional. Es por eso que presentamos y difundimos en este libro los comunicados de las acciones que se llevaron a cabo en este territorio. Porque ver la solidaridad insurrecta saliendo desde estas tierras y llegando hasta la prisión de Korydallo fue un incentivo para seguir difundiendo la propuesta y la praxis insurreccional anarquista.

Esta iniciativa apunta a agudizar la reflexión y la acción. Acompaña la firmeza d elxs compañerxs de la CCF, su proyecto insurreccional, sus ataques realizados, sus blancos, su camino hacia la anarquía negra. Traer parte de su trayectoria hasta aquí es invitar a lxs insurrectos e inconforme a dialogar a través de la acción con experiencias vividas en otras latitudes. Es una invitación a la coordinación informal, tan necesaria para afilar, a confrontación insurreccional.

Que este libro sea una chispa para que sigamos iluminando la oscuridad….

Biblioteca Kaos

Palabras de “Sin banderas ni Fronteras” para la publicación del libro “Nuestro dia llegará” en portugués

Saludamos con alegría y complicidad insurrecta la traducción del libro “Nuestro Día Llegará”, el cual elaboramos y editamos en Chile el año 2015 y hoy es llevado al portugués gracias al trabajo de compañerxs en Brasil.

Por mucho tiempo las actualizaciones del caso de Conspiración de Células del Fuego no fueron traducidas a idiomas latinos, corriéndose el peligro de perder el hilo de conexión con la experiencia de compañerxs con quienes sentimos una profunda afinidad desde hace años. Así, decidimos impulsar esfuerzos en medio de nuestras actividades como grupo de propaganda, volviendo a poner en circulación en español los textos de lxs compañerxs de Grecia, siendo “Nuestro Día Llegará” un punto importante de un recorrido que aún no termina.

Hoy lxs compañerxs de Brasil complementan dicho esfuerzo dando un nuevo paso hacia adelante en la difusión de realidades de lucha afines y la propagación de la solidaridad con lxs compañerxs de Conspiración de Células del Fuego, cuya experiencia en territorio griego es parte de un combate global contra el poder en el cual nos hermanamos con muchxs otrxs compañerxs empuñando diversas herramientas en la lucha.

Amplificando la difusión de este tipo de experiencias, lxs compañerxs de Brasil abren también la posibilidad de generar nuevos debates en su propio territorio y la posibilidad de potenciar las relaciones internacionalistas entre compañerxs anárquicos, rompiendo con las barreras impuestas por los poderosos y que dificultan la conexión entre afines de diferentes regiones (idiomas, Estados, fronteras). Expresión innegable de ese internacionalismo anárquico es la traducción de este libro y estas mismas palabras apareciendo en la edición en portugués.

Para nosotrxs, las traducciones son un reflejo de cómo se desarrolla nuestra lucha: Lejos de cualquier tipo de especialización, todo parte del interés y la iniciativa individual, en este caso el interés por conocer experiencias llevándolas a nuestro propio idioma. Luego, se avanza hacia una dimensión colectiva difundiendo un texto para que pueda ser leído por otrxs compañerxs, lo que en sí mismo es una opción política pues los textos traducidos podrían quedar cómodamente archivados en la dimensión individual sin apostar por su colectivización.

Cada traducción y gesto de difusión de experiencias afines en la lucha contra toda autoridad debiera ser una invitación a extender y agudizar la anarquía en nuestra propia vida, en nuestro propio contexto. Por eso saludamos a todxs lxs compañerxs que participaron y aportaron en la traducción de “Nuestro Día Llegará”, a lxs compañerxs de la Biblioteca Kaos donde se lanzará la presente versión en portugués, y a todxs lxs compañerxs que leen este libro con el afán de potenciar sus propios procesos individuales y colectivos de confrontación contra el poder.

Porque nada ha acabado y todo continúa.
¡A propagar la acción insurreccional y los lazos internacionalistas en guerra contra el poder!

Lxs compañerxs de Sin Banderas Ni Fronteras, núcleo de agitación antiautoritaria.
Chile, Mayo de 2016 – sinbanderas.nifronteras@riseup.net

Palabras del Blog de Contra-Información y Ecologia Radical “Kataklysma”

Hola Hola chicxs de la Biblioteca Kaos!

Escondido aqui en algún rincón en un campo periférico de América del Sur, lanzo mis fervorosos saludos a todas las compañeras y todos los compañeros allí reunidxs en ese encuentro subversivo. Lamento no estar presente en carne y hueso ahí en el espacio, algo que quiero realizar en breve, e es delante de esa ausencia que envío mis palabras cómplices a todos ustedes para hacer presencia ahí en la sala.

Más que nunca es nuestra hora. La nueva anarquía arde en el corazón de los verdaderos insurrectos que caminan sin retorno hacia la tensión insurreccional que confronta sin tregua a todo lo existente.  También, más que nunca, es momento de que lxs caotics que no perdonan la paz social rompan el status quo de esta sociedad robótica putrefacta y servil y la lleven a las ruinas a través de la acción continua y sin precedentes. Las llamas de la nueva anarquía arden de Grecia hasta Chile, de Chile a México, de México hasta Italia y por el planeta se difunden causando terror en lxs esclavxs que sobreviven en las urbes y a sus amos. En el lugar de las fronteras existen apenas barricadas e frentes de conflicto que reciben diariamente fugitivos de este mundo. Todxs listxs para el combate todo o nada, en que la prisión y la muerte pueden ser un camino tendiente a recorrerse. Aun así, no son pocxs lxs que en nada temen el conflicto salvaje e insurreccional, y eso me alegra. Un gran ejemplo de fugitivos caóticxs son lxs compas querrillerxs de la CCF que mismo con incontables sentencias en sus espaldas no dan ni siquiera un paso atrás y van más allá, conspiran día y noche para poner en llamas las prisiones griegas, romper sus rejas y lanzarse nuevamente a la salvajez e incerteza de la guerra social donde la única certeza es la praxis irremediable.

La traducción/subtítulos que el blog Kataklysma tuvo la posibilidad de realizar es un gesto de complicidad y solidaridad para con lxs compas griegxs presxs y sus convicciones, incluso en su no arrepentimiento por sus acciones. Sea allá o acá, juntxs conspiramos por la evasión de la tensión caótica insurreccional. No solo en Grecia, sino en Chile, España, Italia, México, Rúsia, Indonésia, EEUU, Perú, Inglaterra, Francia, Alemania, Turquía, todos los rincones de la tierra y sobretodo Brasil, por ahí y aquí estamos y siempre estaremos! Mientras exista injusticia existirá rebelión, y es la semilla de la que plantamos hoy, aquí y ahora!

Que las semillas de la nueva anarquía germinen no solo en estas tierras fértiles que habitamos, que crezcan como las hierbas dañinas que destrozan las urbes! En el frente estamos y en el frente nos encontraremos.

Rabia, conciencia y anarquía hoy, ahora y siempre.

Somos nosotrxs chicxs!

Palabras de la Conspiración de las Células del Fuego – Núcleo Guerrilla Urbana “Nuestro Día Llegará”  Contribución desde la prisión para la actividad de presentación del libro Nuestro Día Llegará en la biblioteca Kaos, Brasil

Aun si cortaran todas las flores, no podrán matar la primavera. El cautiverio de un anarquista en prisión es primero que nada una confrontación personal. Es una confrontación contra el miedo, las contradicciones, las pérdidas y las derrotas.

Es una confrontación con el sonido que resuena en cada esquina de la celda y que trata de convencerte de que perdimos, de que todo esta perdido. Las cerraduras, las rejas, las cámaras, os cables, los uniformes, quieren recordarte el triunfo del Estado. Pero nada se termina…

Podemos haber sangrado… pero nunca nos rendimos… y nuestro día llegará.

En el verano de 2013el proyecto internacional “Proyecto Fénix” está en andamiento buscando el renacer de la guerrilla urbana desde sus cenizas.

El Fénix estaba viajando a través de México, Chile, Inglaterra, Alemania, Italia, República Checa, Rusia, Indonesia y Grécia… explotando y quemando carros de directores de prisiones, casas de los interrogadores, bancos, símbolos del poder, etc.

El inicio estaba dado, así que comenzamos…
Los siguientes dos años el proyecto se fue organizando

Ahora, en la cárcel, no estamos contando los días que faltan para el fin de nuestro castigo, nosotrxs contamos solamente con nuestro odio para responder el ataque que nos privó de nuestra libertad. En el reino de la democracia la libertad es ilegal y nosotrxs vamos a alcanzarla con métodos ilegales.

Una alta pared de cemento nos separa, unas cuantas rejas, cables y los guardias en las torres de vigilancia.

El concreto no puede golpear la libertad

El plan está listo… las pruebas fueron realizadas… una vagoneta cargada con 200 kilos de explosivos estará estacionada al lado de la pared…y la libertad se levantar desde las ruinas de la jaula…

Y entonces…

Es el momento en que la suerte elige no estar del lado de aquellxs que se atreven si no del lado de los cobarde en uniformes…

Arrestos, allanamientos policiales en nuestras casas de seguridad, armas, cohetes, explosivos, carros, órdenes de detención para quien ayudara en el plan de escape, investigaciones en nuestras celdas y traslados al vacío y subterráneo sector de alta seguridad.

La primera cosa que uno escucha en la sala subterránea de alta seguridad es el sonido del silencio… silencio total que te susurra sobre la derrota que deberías aceptar… Los contraataques del Estado…

Policías, jueces, periodistas toman su venganza por el plan de fuga que no pudimos concretar.

La televisión, desde la mañana hasta tarde por la noche vomita bilis y organiza el pánico… “terroristas de la CCF estaban organizando una masacre”, “ellxs estaban planeando matar gente”, “CCF estaba organizando un escape masivo del terror”, “CCF tiene relación con la mafia”, “terror en la cárcel”.

Hordas de autoridades con sed de más sangre. Ellxs armaron razzias coordenadas y arrestaron a la compañera Aggeliki Spiropoulouque estaba fugitiva por el plan de fuga, y aun cuando llegamos a pensar que era eso, la venganza no acabó aquí…

Ellxs montaron una asquerosa extorsión emocional y la agencia antiterrorista detuvo e interrogó a nuestrxs familiares, acunsándolxs de ser miembrxs de la CCF.

Se dice que el carácter de una persona no se mide por la forma en la cual ella disfruta de sus victorias, sino por la forma en la que consigue superar sus derrotas.

Entonces nosotrxs comenzamos la huelga de hambre hasta la muerte, demandando que soltaran a nuestrxs parientes. Una lucha con un gusto amargo en nuestros cuerpos, viendo a nuestrxs familiares tras las rejas… ganamos la mitad de la victoria cuando la madre de los compañerxs Christos y Gerasimos Tsakalos fue liberada. Pero otra huelga de hambre sería necesaria para Gerasimos Tsakalos y Evi Statiri, y la hicieron por la libertad de Evi.

Continuando, otro intento de fuga sucedió en cooperación con lxs compañerxs de “Lucha Revolucionara” en el cual íbamos a escapar en helicóptero, queríamos volar, organizando el dia en que ya no estuviéramos nunca más para el conteo de la prisión

Sin embargo, un encuentro dentro del helicóptero canceló el vuelo de la libertad.

Muchos pensamientos, angustia, más que nada rabia… peor un rostro caído es un rostro de derrota… y nosotros no pretendemos perder…

Ellxs pueden habernos encerrado en las profundidades de las celdas subterráneas de sus cárceles, pero ellxs olvidan que algunas semillas crecen aun en los lugares más oscuros…

Sabemos con certeza que la libertad no se gana con oraciones ni súplicas, si no con el ruido que rompe la maldición del cautiverio.

Así que hoy, después de cinco años y medio de encarcelamiento, sabemos que la realidad que deseamos es totalmente diferente de la realidad en al cual vivimos…

Pero la distancia entre el deseo y la realidad está… en el coraje.

“un día en prisión, dos días en prisión,, tres días en prisión… hoy el día está pasando tan lento… que estará pasando afuera? Estarán pensando en mí? Cuatrocientos setenta y tres días en prisión. Cuatrocientos setenta y… ya perdí la cuenta, a la mierda!… es mejor así. En la prisión no hace bien contar.

No puedo dormir. Ayer complete tres diarios de prisión… clanc, clanc… la llave de la puerta… ellxs vinieron en medio de la noche para hacer requisa.

Mil quinientos cincuenta y dos días de prisión. Están satisfechos “amados” jueces? Se consigo salir… ustedes van a ver….

Hoy vomité mi alma, vomité barras, paredes, desilusiones, traiciones y no quiero contar nada nunca más…

Estoy pensando en todas las cosas que ellxs han trancado fuera de mi… todas las cosas que ellxs robaron de mi… todas las cosas que ellxs están intentando hacer que olvide… una sonrisa, una mirada libre de rejas, una noche que no termina en cerraduras… paro de pensar, abro mi mano, contemplo la lima que estoy sosteniendo… y ahora yo se… vamos. Una vez más… Nuestro día llegará.

Conspiración de las Células de Fuego FAI-FRI – Núcleo guerrilla urbana

Christos Tsakalos
Gerasimos Tsakalos
Giorgos Polydoros
Olga Okonomidou

Traducido del griego al inglês por algunxs compañerxs de la Okupación Papamihelaki (Rethymo), al portugués por la Biblioteca Kaos y al español por Irakunditxs.

Palabras de CCF para el evento del 26 de mayo en la biblioteca Kaos y para la edición del libro “Nuestro día llegara” en portugués.

Su evento crea brechas en el universo de cimiento que nos rodea, es también una tentativa para aclarar cosas y situaciones de la realidad que experimentamos y que seguimos viviendo.

El video del Proyecto Fénix que van a proyectar fue un video hecho para un evento en Atenas donde íbamos a intervenir telefónicamente para describir los nuevos cargos en nuestra contra que nos llevarían para enfrentar un nuevo juicio. El evento relataba los cargos de iniciación de algunos ataques que fueron llevados a cabo en el contexto del Proyecto Fénix, que se inicia con la explosión del auto personal del director de la prisión de Korydallos, un ataque reivindicado por la Conspiración de Células de Fuego, Núcleo Sole/Baleno.

En este tiempo, todxs lxs prisionerxs membrxs de CCF, en sus cartas saludaron esta acción y fue también en esta carta que fue basada nuestra acusación. En el video, se puede oír la voz de lxs miembrxs de CCF en prisión.

El libro “Nuestro día llegara” es una tentativa de lxs compañerxs de Chile para recordar la historia de una tentativa de escape, por parte de lxs miembrxs de CCF y todas las detenciones que siguieron. Las detenciones de lxs parientes de lxs miembrxs de CCF y la huelga de hambre que hicieron para la liberación de sus cercanxs.

En los dos casos, hay un eje central (común): el deseo de algunxs presxs anarquistas de no aceptar las condiciones de su cautiverio.
A través de estas historias, podemos ver que tanto en un camino cuanto en el otro que la inquebrantable sed por la acción y la libertad no pude ser asfixiada.

Esperemos que estas palabras calienten sus corazones y les hagan sentirse más cerca de nosotrxs a pesar de los incontables kilómetros que nos separan.

Mandamos nuestro saludo más cálido para lxs companerxs que tomaron la iniciativa de contactarnos y que prepararon este evento, así como a lxs compañerxs que asistieron al evento.

Un abrazo ardiente desde las celdas de las prisiones de la república griega.

Lxs miembrxs de la Conspiración de las Células del Fuego:
Panagiotis Argyrou
Michalis Nikolopoulos
Giorgos Nikolopoulos
Haris Hatzimichelakis
Theofilos Mavropoulos
Damianos Bolano.

Una contribución del anarquista nihilista Spyros Mandylas,  para la actividad de la “Biblioteca Kaos”  en Porto Alegre, Brasil.

Saludos compañerxs,

Preferiría encontrarme con ustedes cara a cara pero mis órdenes de restricción no me permiten moverme más allá de las fronteras de la ciudad de Tesalónica.  Las órdenes de restricción son una táctica usada frecuentemente por el Estado Griego que busca mantener a lxs anarquistas como rehenes politicxs.

Me gustaría mandar un saludo para este evento, resaltando la importancia de una actividad como esta, en la que hay participación de personas que, o realizaron acciones armadas, o fueron alcanzados por mecanismo represivos del Estado con la excusa de ser parte de la guerrilla anarquista. También es importante que este evento tenga características internacionales, lo que comprueba que la solidaridad no puede ser contenida por fronteras.

Me gustaría mencionar dos asuntos. El primero es la conexión entre las partes públicas e ilegales da anarquía. El segundo es mi opinión personal sobre la forma en la que la tendencia nihilista -el “tercer polo” como está siendo llamado en referencia a los últimos sucesos- debería organizarse.

Entonces comencemos con el primer asunto. Creo que en caso de la okupa Nadir, el Estado mostró que estaba preparado de la mejor forma posible, entonces, si alguien estuvo envuelto, mismo que superficialmente, en el caso de Nadir, sabe que el Estado Forzó contra nosotrxs cuatro ataques represivos y una oleada de allanamientos en casas particulares. La mayoría de las veces el servicio de policía antiterrorista estaba en la línea del frente de estos ataques.  Obviamente, detrás de estos actos del Estado, existe una cierta forma de pensar. El Estado quiere poner una barrera a la expansión del discurso nihilista y de la nueva anarquía. Como dije en mi discurso de defensa en el juicio por el Proyecto Fénix: “el Estado considera la conexión entre lo “público” y lo “ilegal” como una mezcla explosiva”. Es ampliamente sabido que muchxs anarquistas en Grecia y en otros lugares (por ejemplo el compañero Mauricio Morales hacia parte de la okupa Sacco y Vanzetti) crecieron políticamente en okupaciones y espacios autónomos.

Una práctica como esta, con características ofensivas puede ser usada como una herramienta en las manos del movimiento. Sin embargo, el uso  errado de estas prácticas puede causar resultados opuestos. El hecho de que espacios con estas características están en la mira de la represión del Estado, comprueba su capacidad de amenazar seriamente al poder.

Hablemos ahora sobre el segundo tema, el cual trata, como dije, sobre las acciones que debería ser tomadas para que el llamado “tercer polo” sea organizado. Creo que sus características deben ser específicas. La tendencia nihilista no es, de forma ninguna, la guardiana de la anarquía oficial, ni una parte de la llamada “juventud salvaje”. Incluye la negación en cada punto y en cada movimiento de eso. Se mueve en la dirección de la ofensiva y no de la acción por la defensa. Sin embargo nihilismo significa acción por sobre cualquier otra cosa, entonces, creo que no tengo como extender más mi opinión sobre este tema. Solamente diré que el Estado está organizándose muy seriamente contra la anarquía negra (con cientos de pacos trabajando al servicio de la policía antiterrorista, con máquinas poderosas que interfieren celulares y datos de internet, con bancos de datos de ADN que son creadas y que crecen constantemente). Entonces, la organización seria, entre nosotrxs, es el único camino que nos queda.

Creo que la conversación sobre estos asuntos debe comenzar. Finalmente, me gustaría mandar un saludo para lxs compañerxs que organizaron y a lxs que asistieron al evento. Creo que prácticas como la de la Biblioteca Kaos, ofrecerán mucho para la revolución anarquista permanente.

Mantenganse fuertes.
19 de Maio de 2016

Posted in Comunicados, Notícias | Tagged , , , , , , , , | Comentários desativados em Relato da Atividade sobre Conspiraçao de Células de Fogo + palavras da Biblioteca Kaos para a apresentação do livro “Nosso Dia Chegará” [PT/EN/ES] + Palavras em inglês dos companheirxs da CCF e de Spyros Mandylas para a atividade

O extremismo anarquista na lista da Interpol

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Compartilhado de Insurrecionista

Considerado doméstico o anarquismo entra na lista de movimentos considerados terroristas e a Interpol em parceria com o FBI propõe uma limpa mundial com campanhas antiterroristas:

Em uma tentativa patética de impor ao público o que é terrorismo doméstico o FBI e a Interpol alegam que: Norte Americanos atacam a Norte Americanos por causa de ideologias extremistas.

“Nós (FBI) previamente delineados três ameaças separadas: Os Eco-Terroristas/Extremistas dos direitos dos Animais, Os infratores solitários, e o movimento cidadão soberano (Ku Klux Klan).

Hoje, olhamos para um quarto extremismo a ameaça anarquista.”

O que é extremismo anarquista? Anarquismo é uma crença de que a sociedade não deve ter governos, leis, polícia, ou qualquer outra autoridade. Toda essa crença é perfeitamente legal e a maioria dos anarquistas são defensores da não-violência e meios não criminais (Obs: Segundo o FBI o americano Peter Gerderloos escreve seu livro como a não-violência protege o estado). Uma pequena minoria, no entanto, acredita que a mudança só pode ser realizada através da violência e atos criminosos. E o que, é claro, é contra a lei.

(*Se a manifestação não desafia a ordem vigente para o que está serve?)

Fonte :https://www.fbi.gov/news/stories/2010/november/anarchist_111610/anarchist_111610

A Interpol Brasília existe e está em operação desde 1953

interpol

A INTERPOL National Bureau Central (NCB) para o Brasil faz parte da Unidade de Coordenação de Polícia Criminal Geral da Internacional que lida com todas as polícias internacionais e inquéritos judiciais envolvendo a Polícia Federal.

Mandato:

  • Trabalhar com os países membros da Interpol no interesse da cooperação policial internacional;

Avisos questão à Interpol:

  • Coordenar as operações de polícia internacionais;
  • Localizar e capturar fugitivos internacionais;
  • Coordenar extradições;
  • Administrar a rede de comunicações INTERPOL policial, segura em todo o país.

A INTERPOL Brasília é composta de quase 40 funcionários a tempo inteiro e 50 funcionários adicionais nomeados para os 27 escritórios regionais em todo o país. Os funcionários são funcionários públicos, comissários, peritos forenses, policiais, oficiais de justiça, peritos de impressão digital ou trabalhadores administrativos, cada um selecionados competitivamente para uma responsabilidade específica BCN.

  • Prevenir, identificar e investigar o crime;
  • Luta contra o tráfico internacional de drogas e terrorismo.
  • Proporcionar controle das fronteiras e os serviços de imigração.

Fonte referencial: http://www.interpol.int/Member-countries/Americas/Brazil

A lei antiterrorismo Brasileira de Schrödinger

O projeto de lei define o ato terrorista de forma bastante ampla, enumerando como ações terroristas: o ataque aos meios de transporte e bens públicos ou privados, o porte de explosivos e a interferência em bancos de dados e sistemas de informática, entre outros, que tenham “razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado , expondo a perigo pessoas, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”, além de definir punição também ao crime de “apologia ao terrorismo”.

Fonte:HTTP://WWW.OVALEDORIBEIRA.COM.BR/2016/04/LEI-ANTITERRORISMO-UMA-LEGISLACAO.HTML#IXZZ46FJINVLU

São considerados “atos de terrorismo”: (I) “usar ou ameaçar usar, transportar, guardar, portar ou trazer consigo explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos biológicos, químicos, nucleares ou outros meios capazes de causar danos ou promover destruição em massa”; (II) “sabotar o funcionamento ou apoderar-se, com violência, grave ameaça a pessoa ou servindo-se de mecanismos cibernéticos, do controle total ou parcial, ainda que de modo temporário, de meio de comunicação ou de transporte, de portos, aeroportos, estações ferroviárias ou rodoviárias, hospitais, casas de saúde, escolas, estádios esportivos, instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais, instalações de geração ou transmissão de energia, instalações militares, instalações de exploração, refino e processamento de petróleo e gás e instituições bancárias e sua rede de atendimento”; e (III) “atentar contra a vida ou a integridade física de pessoa”. Em linhas gerais, os atos de terrorismo podem estar relacionados ao manejo de determinados materiais que possam colocar em risco a incolumidade pública, ao apoderamento de pontos estratégicos para a segurança nacional, e a atentados contra a vida.”

LEI Nº 13.260, DE 16 DE MARÇO DE 2016 – Lei Antiterrorismo

§ 2º O disposto neste artigo não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou de categoria profissional, direcionados por propósitos sociais ou reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, com o objetivo de defender direitos, garantias e liberdades constitucionais, sem prejuízo da tipificação penal contida em lei.

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Correio da Cidadania: Você acredita nas alegações das principais representações políticas favoráveis ao projeto, algumas delas ancoradas em eventos como as Olimpíadas ou mesmo em comparação a países estrangeiros que já tipificaram o terrorismo? Ou você pensa que essa lei tem única e exclusivamente a intenção de criminalizar movimentos e contestadores sociais de maior porte?

Camila Marques: Não digo que intenção tenha sido unicamente a criminalização dos protestos sociais, mas acredito que o processo também foi composto por esse interesse. Muitos organismos internacionais se manifestaram contrários ao projeto brasileiro dizendo que era extremamente vago e poderia trazer prejuízos à democracia. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a ONU se manifestaram nesse sentido – e reiteraram depois de sua aprovação.

http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=11588:2016-04-13-23-36-58&catid=72:imagens-rolantes

Por outro lado quase que improvável esta lei pode fomentar o fim da violência policial em protestos e nas favelas, segundo a ONU a lei é muito ambígua ampla o que causa insatisfação.

São autodeclarados contra o PL 2016/2015 o MST, MTST e Greenpeace.

Rio – O Brasil vai convidar policiais de países europeus, alvos de atentados terroristas, para participar do Centro Integrado Antiterrorista, que será criado para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. O anúncio foi feito pelo titular da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, Andrei Augusto Passos Rodrigues. Ele garantiu, que mesmo após ao atentado em Paris, na França, na última sexta-feira, que deixou 129 mortos e mais de 350 feridos, o esquema de segurança para a Olimpíada não será alterado.

“O impacto sobre isso é de reafirmar que vamos investir na cooperação internacional, na troca de informações com países que compõem o sistema da Interpol. É uma novidade que o Brasil implemente o Centro Integrado Antiterrorista, que é um fórum de polícia, onde convidaremos policiais de outros países a integrar este centro, com foco no enfrentamento ao terrorismo”, adiantou Andrei Rodrigues.

Referencial:http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-11-17/olimpiadas-do-rio-experiencia-de-quem-viveu-o-terror.html

— O que está por trás dessa iniciativa de tipificar o crime de terrorismo no Brasil? É mais uma tentativa de criminalizar os movimentos sociais?

— Com certeza. Zaffaroni, argentino e um dos maiores penalistas do mundo, diz que toda vez que aumentamos o estado policial, diminuímos o estado de direito. Neste caso, seria uma tragédia para as lutas sociais a tipificação, um retrocesso democrático.

Recentemente, Obama justificou a espionagem que fez na presidenta Dilma com base no argumento de que era para combater o terrorismo. Ou seja, se viola a intimidade de presidentes de países com base neste argumento!

O debate é ideológico. Implica dizer, seremos submissos a esta ideologia norte-americana? A mesma ideologia que “justifica” a tortura, a espionagem sorrateira, Guantánamo, Abu Ghraib e os campos de concentração relatados no filme Zero Dark Thirty (A Hora Mais Escura)?

– A quem interessa, ideologicamente, tipificar o crime de terrorismo no Brasil?

– Como o termo “terrorista” é uma construção ideológica, funciona mais ou menos assim: você primeiro cria politicamente o termo e depois vai atrás daquilo que você entende que seja.

Somente para argumentar, imaginemos aquele terrorista dos filmes de Hollywood, ok? Se ele existe, nunca passou pelo Brasil ou pela maioria dos países.

Nosso País não entra em guerra há mais de 100 anos, temos um tradição, portanto, pacífica.

Outros países que tipificaram a conduta e aceitaram o jogo dos EUA, ao não encontrar aquele perfil que o Jack Bauer, do seriado 24 horas tem como inimigo, acabaram por criminalizar movimentos sociais. Sim, porque uma vez tipificado, você perde totalmente o controle sobre quem será punido. O filtro que será realizado para determinar se tal conduta é terrorismo ou não será dado por delegados, promotores, juízes e, é claro, pela mídia!

Interessa ao pensamento ideológico de Bush no pós 11 de setembro. Pensamento tão forte politicamente, que nem mesmo Obama conseguiu refrear, embora houvesse prometido acabar com Guantánamo.

Entrevista dada em 2014: http://www.contextolivre.com.br/2014/02/lei-antiterrorismo-serve-principalmente.html

E o que isto tem haver com nós anarquistas?

Bestas selvagens sem nacionalidade as origens da Interpol e a Conferência Internacional de Roma para a Defesa Social contra anarquistas:

Embora historicamente inclui tendências violentas (como o anarquismo insurrecional com a sua invocação da “propaganda pela ação”), que também inclui elementos não violentos , com a maior parte do movimento que tomam uma posição mais moderada sobre o uso da violência para revolucionária propósitos entre esses dois extremos.

As outras resoluções elaboradas no protocolo final incluiu a introdução de legislação nos governos participantes que proíba a posse ilegítima e uso de explosivos, a participação em organizações anarquistas, a distribuição de anarquista propaganda , e da prestação de assistência aos anarquistas.

anarquia-ou-barbarie

Referencial:

http://deflem.blogspot.com/2005/05/wild-beasts-without-nationality.html

http://deflem.blogspot.com/2005/05/international-police-cooperation.html

Pois então, companheiros(as) , tenho para falar a vocês que mesmo não se aplicando a movimentos sociais ligados ao governo a lei que tipifica o terrorismo é válida para nós.

Saúde e Anarquia!

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Novo grupo rebelde explode plataforma de petróleo e gás da Chevron na Nigéria

MEND

Uma das principais instalações de petróleo e gás do grupo norte-americano Chevron na costa sul da Nigéria foi atacada pelo novo grupo armado “Vingadores do Delta do Níger”, que emitiu um comunicado para reivindicar o ataque ocorrido na quarta-feira (4) passada.

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A explosão da plataforma de Okan foi confirmada nesta sexta-feira (6) pela Marinha do país africano. Seu porta-voz, Chris Ezekobe, disse que as instalações atingidas operavam para receber petróleo e gás destinados ao terminal Escravos.

“Não podemos, contudo, excluir o envolvimento de ex-chefes rebeldes do delta do Níger, entre eles Tompolo, atualmente procurado e acusado por fraude”, acrescentou.

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A multinacional com sede nos EUA disse que se viu forçada a encerrar a produção no local, mas que continuará suas exportações.

Enquanto isso, o novo grupo armado lançou uma advertência às empresas internacionais de que “os militares nigerianos não podem proteger suas instalações”. Além disso, os rebeldes declararam que vão “levar a economia do país a zero”, por não terem sido ouvidos, e ameaçaram continuar com os ataques, inclusive em Abuja, a capital, e Lagos, o centro comercial da Nigéria.

Notícia roubada do lacaio do estado russo.

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